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No Dia da Abolição da Escravatura, confira 7 fatos sobre a escravidão em Petrópolis

História

No Dia da Abolição da Escravatura, confira 7 fatos sobre a escravidão em Petrópolis

Da venda de escravos nos jornais à formação de quilombos na cidade

*Matéria atualizada às 7h34 do dia 13 de maio de 2022

Na mesma data em que a Lei Áurea foi aprovada e o trabalho escravo abolido no Brasil, a Sou Petrópolis decidiu reunir alguns fatos relacionados à escravidão em Petrópolis. Com a ajuda da Associação de Guias de Turismo de Petrópolis, reunimos 7 aspectos que fazem parte da luta contra a discriminação racial e a escravatura na cidade e que se manifestam em praças, palácios, igrejas e ruas. Será que você já os conhece?

Foto: Reprodução/Toda Matéria

1- O porquê do nome Praça da Liberdade

De acordo com a Associação de Guias de Turismo de Petrópolis, durante um bom tempo a praça serviu como ambiente de comercialização dos negros escravizados da cidade. Ainda segundo a AGP, o mesmo local funcionou como palco para manifestações abolicionistas e para que negros libertos comprassem a alforria dos outros. Teria sido lá também que, em maio de 1888, os escravos teriam comemorado sua liberdade após a Princesa Isabel libertar cerca de 103 escravos de Petrópolis no Palácio de Cristal, daí a praça ter se tornado conhecida como a da Liberdade.

Painel Líderes Femininas Afro-brasileiras feito pelo artista petropolitano Rodrigo DOUG na Praça da Liberdade – Foto Divulgação @doug.artes

2- A Igreja do Rosário ter sido construída por e para escravos

Talvez você não saiba, mas o terreno em que hoje opera a Igreja do Rosário foi doado em 1882 a escravos que, com o dinheiro que usariam na obtenção de sua alforria, pagaram pela construção da capela. Num tempo em que a cidade celebrava suas missas na igreja matriz, na Rua da Imperatriz, a impressão que se tinha era a de que o templo era voltado à nobreza. Normalmente descalços e trajando pouca roupa, os escravos sentiram, então, a necessidade de um local de culto à parte em que, efetivamente, se sentissem abraçados e acolhidos.

Fotos: Museu Imperial/Ibram/MinC – Bruno Avellar

Curiosidade: no altar do Santuário há um relicário com as relíquias – restos mortais – da primeira santa africana: Josefina Bakhita. Natural do Sudão, ela foi escravizada ainda quando criança e é tida como exemplo de fé no mundo.

Leia também: Mais de sete curiosidades sobre a Igreja do Rosário

3- No passado, eram comuns os anúncios de venda de escravos nos jornais

Descritas como mercadorias, as pessoas eram anunciadas como parte dos classificados dos jornais do século XIX. O que mais se viam eram notas de fugas de “moleques”, compra e venda de criados, recompensas para o caso de quem encontrasse “negros fugidos”, ou ofertas “dois por um”. No recorte do jornal “O Parahyba”, de 1857, extraído do Arquivo Histórico Municipal, lê-se a venda de uma “crioula” em que, junto da jovem de 18 anos, ia o filho, ainda bebê.

Foto: Arquivo/Sou Petrópolis

Saiba mais: 12 anúncios de um jornal antigo de Petrópolis que vão mexer com a sua cabeça

4- Petrópolis ainda conta com uma comunidade de descendentes de escravos e africanos

Trata-se do Quilombo da Tapera! Segundo os moradores, o terreno foi doado pelo proprietário da Fazenda Santo Antônio a duas de suas escravas. Uma delas, Sebastiana Augusta Corrêa da Silva, de que descendem, teria sido a ama de leite de uma das filhas de seu “senhor”. Localizado no Vale da Boa Esperança, ele é, segundo a Associação de Guias de Turismo de Petrópolis, um dos quatro quilombos registrados em Petrópolis no século XIX. São eles: Manoel do Congo (Vale das Videiras), Vargem Grande (Fazenda Inglesa) e o de Petrópolis (no Palácio de Cristal).

Foto: Arquivo/Sou Petrópolis

5- A região do Palácio de Cristal pode ter abrigado um quilombo no passado

Ainda de acordo com a AGP, a região que hoje abriga o Palácio de Cristal pode ter sediado um quilombo de escravos fugidos de fazendas vizinhas por volta de 1838, antes mesmo da fundação da colônia. Segundo a Associação, há relatos do Dr. Binot, paisagista ligado à família imperial de que na área da Confluência – chamada de Passeio Público, havia funções agrárias, o que caracterizaria a presença de “negros fugidos”, ou seja, de um quilombo naquelas imediações.

6- O uso das camélias como sinal de apoio ao movimento abolicionista

Presente em jardins de casas da Avenida Koeller – incluindo a da Princesa Isabel – e no próprio Museu Imperial – o palácio de veraneio da família imperial, a camélia foi consolidada como a flor símbolo da abolição. Conta-se que no século XIX os defensores da causa abolicionista a utilizavam para demonstrar seu apoio ao movimento. A manifestação se dava tanto no decote de vestidos de mulheres e na lapela de homens, quanto nos jardins das casas em que moravam.

Foto: Reprodução/Uberaba em Fotos

7- O Palácio Amarelo ter pertencido ao único barão negro da história do império no Brasil

Por essa você, talvez, não esperasse! Considerado um dos homens mais influentes do século XIX, era o Barão de Guaraciaba, proprietário rural e banqueiro, o detentor do Palácio Amarelo: atual Câmara Municipal. Tido como o único barão negro da história do Império no Brasil, a Associação de Guias de Turismo de Petrópolis conta, contudo, que a sociedade da época não o aceitava pelo fato de ser negro e que até feiras chegaram a ser instaladas em frente à casa para que ele fosse forçado a vendê-la. O prédio foi adquirido pelo município em 1894.

Foto: Reprodução/Site A História de Petrópolis

E aí, qual desses fatos mais te surpreendeu? Conta pra gente nos comentários

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