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8 curiosidades sobre a última comunidade de descendentes de escravos e africanos de Petrópolis

Cultura

8 curiosidades sobre a última comunidade de descendentes de escravos e africanos de Petrópolis

Conheça o Quilombo da Tapera e se surpreenda com um outro lado da história de Petrópolis.

Enquanto para muitos é apenas no dia 20 de novembro que se celebra a Consciência Negra, no Quilombo da Tapera, localizado no Vale da Boa Esperança, o passado é vivido e celebrado todos os dias.

Foto: Carolina Freitas.

Considerada a última comunidade de descendentes de escravos e africanos em Petrópolis, como apontam os próprios moradores, é a união cultivada por seus antepassados há 171 anos que continua a norteá-los.

O blog Petrópolis Sob Lentes foi até eles para conhecer de perto um capítulo da história da cidade que resiste ao tempo. Abaixo você confere o fruto dessa visita: 8 curiosidades sobre o Quilombo da Tapera.

1. Origem

“A comunidade existe desde que Petrópolis tinha quatro anos de idade”. Tão antiga quanto a própria cidade, as terras da Tapera ajudam a contar a história da comunidade. Segundo os moradores, o terreno foi doado pelo proprietário da Fazenda Santo Antônio a duas de suas escravas. Uma delas, Sebastiana Augusta Corrêa da Silva, de que descendem, teria sido a “ama de leite” de uma das filhas de seu “senhor”. Daí a doação em testamento da propriedade.

2. Pertencimento

Fruto do sacrifício de seus antepassados, o quilombo simboliza a força daqueles que lutaram para ter um lugar para chamar de lar. As menos de 20 famílias que o habitam compartilham de uma sensação de pertencimento a uma terra que se recusam a deixar. “É algo que vem de dentro, não dá nem pra explicar”, dizem eles.

3. Infraestrutura

O Quilombo da Tapera foi uma das comunidades afetadas pelas trágicas chuvas de 2011, mas para os quilombolas, até certo ponto, há males que vêm para o bem. Eles dizem que só puderam retornar ao quilombo em 2013, quando passaram a contar, pela primeira vez, com serviços como energia elétrica, água encanada, coleta de lixo e transporte escolar. “Antes as crianças andavam por duas horas a pé até o colégio”, afirmam.

4. Forró

Sem energia elétrica por boa parte de suas vidas, os moradores da Tapera tiveram que encontrar alternativas para se divertirem. Um costume que se perpetuou são as festas embaladas pela sanfona e pelo forró. Os mais antigos dizem que houve épocas em que as celebrações, regadas a café e bolinho de chuva, duravam cerca de 12 horas: das sete da manhã às sete da noite.

5. Tecnologia

Bem-humorados, os moradores hoje relatam as dificuldades enfrentadas em tempos não tão distantes em que assistir televisão significava colocar a bateria para carregar, sabendo que duraria para assistir a apenas um capítulo da novela. Isso sem falar nas pilhas de rádio, fervidas para tornar a sintonia do aparelho possível.

6. Lendas

Jorge Casciano, de 67 anos, é considerado o morador mais antigo do quilombo e o “homem das histórias”, muitas delas ambientadas em sua juventude. Entre os destaques estão: “O velho da mata”, que Jorge afirma ter visto próximo a uma pedra fumando cachimbo, mas que nunca foi encontrado; o cavalgar de cavalos que diz ter escutado próximo a ele, mesmo sem avistar nenhum animal se aproximar e a igrejinha mal assombrada, onde não só Jorge, mas outros moradores afirmam ter ouvido pessoas caminhando e avistado uma luz no interior da edificação – em tempos em que não havia energia elétrica na região.

7. Tradições

Morando num local em que o hospital mais próximo fica a quilômetros de distância, é natural que os quilombolas tenham desenvolvido seus próprios métodos de tratamento. A diarista Teresa Cristina Corrêa Casciano, de 64 anos, é a que mais se aproxima de uma “curandeira” na região. Ela diz que, sempre que necessário, reza para tratar de “ventre/vento caído” – situação em que a criança, após se assustar, se recusa a andar -, e mau olhado.

Os costumes da comunidade envolvem algumas práticas como depositar uma tesoura aberta ou um pente debaixo do travesseiro do recém-nascido, ou “pagãozinho” como se referem, para protegê-los das bruxas; e o ritual para se “cortar o medo” da criança que está aprendendo a andar. Os moradores explicam que a segunda prática requer duas pessoas: uma para carregar o bebê no colo e a outra, responsável por “cortar o medo”, por fazer o sinal da cruz em um tronco. Tudo isso enquanto as duas correm em volta de uma casa.

8. União

Unidos, não há dia ruim para os moradores do Quilombo da Tapera. Preocupados em preservar e aprender com seus antepassados, eles fazem de um estilo de vida simples, precioso o suficiente para não tirar o sorriso de seus rostos.

Na foto, da esquerda para a direita: Amarildo André, Jorge Casciano, Teresa Cristina Corrêa, Sandra Maria André, Denise André Barbosa (de turbante), João Victor Casciano Maia, Thiago Joaquim Casciano de Jesus & Adão Casciano.

O Quilombo da Tapera fica no bairro do Cuiabá, no final do Condomínio Vale da Boa Esperança. Para obter mais informações e marcar uma visita, é preciso ligar para os telefones (24) 99305-7315 ou (24) 99929-548.

Admitimos que é bastante chão até chegar lá, mas a receptividade do grupo e a oportunidade de estar em contato com uma outra cultura já valem a viagem!

Essa matéria foi feita em parceria com o Blog Petrópolis Sob Lentes
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