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Aos 65 anos, triatleta petropolitana sobrevive a grave atropelamento e volta às competições

Esporte

Aos 65 anos, triatleta petropolitana sobrevive a grave atropelamento e volta às competições

Naila Pinheiro se preparava para o Ironman quando foi atropelada e chegou ao hospital em estado gravíssimo; meses depois, voltou a nadar, correr e competir

Aos 65 anos, a triatleta petropolitana Naila Pinheiro viveu, em abril deste ano, um dos momentos mais difíceis de sua trajetória no esporte. Enquanto treinava para o Ironman, principal competição de triatlo de longa distância do mundo, ela foi vítima de um grave atropelamento e chegou ao hospital em estado gravíssimo.

Fotos: Arquivo Pessoal

Intubada e em coma, Naila teve uma parada na oxigenação e chegou a registrar apenas 20 batimentos cardíacos por minuto. O que veio depois, porém, foi uma recuperação que surpreendeu até a equipe médica. O condicionamento físico construído ao longo dos anos de treinos, aliado à fé e ao apoio de pessoas próximas, ajudou Naila a superar o trauma e voltar ao esporte meses depois.

O papel do esporte na recuperação

Após o atropelamento, a atleta foi levada de ambulância para a UPA e, posteriormente, transferida para a UTI do Hospital Santa Teresa. O quadro era considerado extremamente grave e, segundo os prognósticos médicos, a sobrevivência sem sequelas graves parecia quase impossível.

Surpreendendo a medicina, Naila reagiu. O condicionamento cardiovascular e muscular construído nos treinos com o técnico Ricardo de Castro da R2 Assessoria Esportiva funcionou como um verdadeiro escudo para seu corpo. O coração, os pulmões e a estrutura física preparados para o Ironman resistiram à falta de oxigênio e aos traumas físicos, permitindo uma recuperação plena.

“Treinar pro Ironman me fez sobreviver. Se eu não tivesse os treinos, os músculos, o coração e os pulmões preparados, não estaria vivendo tão plenamente e sem sequelas essa nova oportunidade de estar aqui”, conta Naila.

Durante o período no CTI, ela também teve uma fratura no pé que não foi identificada imediatamente e acabou cicatrizando sem um tratamento direto. Mesmo diante das dificuldades, a recuperação avançou além das expectativas iniciais.

Fotos: Arquivo Pessoal

De volta ao mar

O retorno aos treinos aconteceu no início de junho. Pouco mais de dois meses depois, em 23 de agosto, Naila voltou a competir no Lifeguard 220, no mar de Niterói. A chegada foi marcada por um encontro emocionante com Bela Faria, petropolitana que é destaque internacional das águas abertas. Vencedora da prova, Bela voltou para abraçar Naila, que também é sua amiga, técnica e inspiração.

Antes disso, Naila já havia retomado os treinos no mar, na Praia de Itaipu, justamente no mesmo trajeto e distância de sua primeira prova em águas abertas, realizada há mais de 20 anos. A volta às competições continuou nas semanas seguintes.

Mesmo com o receio em relação ao pé que havia sido fraturado, Naila superou a previsão inicial de correr apenas 12 minutos e completou uma prova de 5 km, mantendo mais de 30 minutos de corrida contínua. Durante o percurso, contou com a companhia e o apoio da amiga Natália Marcelino.

No mesmo fim de semana, também participou do Circuito Serrano de Natação, celebrando o retorno às competições em piscina. Hoje, Naila mantém uma rotina com natação, corrida e pedal indoor e voltou a competir. Para ela, porém, a recuperação não pode ser atribuída apenas ao preparo físico.

“A vida é muito linda. Problemas virão e passarão. Confiar em Deus sobre tudo e ter fé faz total diferença para receber o que a vida entrega, aceitar sem reclamar e seguir. Pois se vem o desafio, também enviam anjos para nos apoiar. Gratidão é a chave”, conta.

Fotos: Arquivo Pessoal

Alerta para o trânsito

A história de Naila também chama atenção para a importância do cuidado no trânsito, especialmente na convivência entre motoristas, ciclistas e pedestres.

O retorno ao esporte foi possível graças a uma combinação de fatores que ajudaram a atleta a atravessar um dos momentos mais delicados de sua vida. Mas, nas ruas, nem sempre há uma segunda chance.

Ao final de setembro, período marcado por campanhas de conscientização sobre a preservação da vida, a trajetória da atleta reforça a necessidade de atenção, respeito e responsabilidade no trânsito. Para quem pedala, corre ou caminha, atitudes cuidadosas nas vias podem fazer toda a diferença.

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