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Corredor petropolitano de 40 anos encara desafio de cinco maratonas pela América do Sul

Esporte

Corredor petropolitano de 40 anos encara desafio de cinco maratonas pela América do Sul

Victor Abreu já completou etapas em Brasília, Buenos Aires e Montevidéu e se prepara para correr em Assunção, no Paraguai

O petropolitano Victor Abreu, de 40 anos, vem cruzando fronteiras por meio da corrida. Apaixonado pelo esporte, o atleta já participou de provas em diferentes cidades e países e, agora, encara um dos maiores desafios de sua carreira: completar cinco maratonas em capitais da América do Sul pelo Circuito Mega Finisher.

Fotos: Arquivo Pessoal

Inspirado na lógica das grandes séries internacionais de maratonas, o Mega Finisher reúne provas em Brasília, Buenos Aires, Montevidéu, Assunção e Lima. O atleta que completa cinco provas na mesma distância, dentro do período estabelecido pela organização, recebe a Mega Legend, uma medalha especial criada para os participantes que concluem o desafio.

Victor já cumpriu três das cinco etapas na distância de 42 quilômetros. A jornada começou em Brasília, em novembro de 2024, passou por Buenos Aires, na Argentina, em setembro de 2025, e chegou a Montevidéu, no Uruguai, em maio deste ano.

Agora, o próximo destino é o Paraguai. No dia 30 de agosto, o petropolitano participa da Maratona Internacional de Assunção, quarta etapa de sua jornada. A prova terá largada na Costanera e contará com percursos de 42 km e 21 km.

Fotos: Arquivo Pessoal

Uma mudança de vida aos 36 anos

Antes de começar a colecionar quilômetros, medalhas e viagens, Victor viveu uma fase completamente diferente. Quando mais jovem, já praticava esportes, mas precisou interromper a rotina de atividades por causa dos estudos e do trabalho.

Formado em Engenharia Mecânica, passou anos concentrado na vida profissional e acabou deixando a atividade física de lado. O resultado foi o ganho de peso e uma rotina cada vez mais sedentária.

Aos 36 anos, ele percebeu que precisava mudar. Com aproximadamente 84 quilos e uma rotina marcada pelo trabalho, alimentação desregrada e pouca atividade física, decidiu virar a chave.

“Chegou uma hora da minha vida que eu pensei: não tem condições de continuar dessa forma. Eu só estava trabalhando, fazendo churrasco, comendo, bebendo cerveja e não estava fazendo nada. Então falei: a partir de hoje tenho que mudar, se não daqui a pouco vou ter um infarto”, conta.

Foi então que voltou para uma antiga paixão: a corrida. Começou treinando sozinho pelas ruas e, aos poucos, percebeu que poderia evoluir. Em maio de 2024, entrou para uma assessoria esportiva, onde passou a seguir uma rotina regrada de treinamentos.

A competitividade, que já fazia parte de sua personalidade, logo apareceu também nas provas. Victor passou a acompanhar os resultados dos primeiros colocados e estabelecer metas para superar seus próprios tempos.

Quando começou, fazia os 10 quilômetros em aproximadamente 47 minutos. Atualmente, consegue completar a distância em cerca de 36 minutos.

Fotos: Arquivo Pessoal

O primeiro pódio e a virada de chave

A busca por melhores resultados rapidamente se transformou em motivação. Ao observar os tempos dos atletas de sua categoria, Victor estabeleceu uma meta: correr os 10 quilômetros abaixo dos 40 minutos.

“Eu vi que o terceiro colocado da minha categoria tinha corrido em 39 minutos. Falei: o dia que eu conseguir correr abaixo de 40 minutos, vou conseguir um pódio na categoria”, lembra.

O objetivo, porém, não veio imediatamente. Foram meses de treinamento até que, em janeiro de 2025, conseguiu alcançar o resultado que tanto procurava. Na prova, realizada no Rio de Janeiro, Victor completou os 10 quilômetros em primeiro lugar na categoria.

“Aquilo para mim foi o máximo. Eu treinei muito para aquilo. Quando consegui, pensei: vou conseguir alcançar todos os meus objetivos. Vou lutar por isso”, afirma.

A conquista serviu como combustível para novos desafios. Vieram as meias maratonas, o início da preparação para provas mais longas e, depois, a entrada no universo das maratonas.

Fotos: Arquivo Pessoal

De uma maratona difícil ao desafio internacional

A primeira maratona de Victor foi em Niterói, em setembro de 2024. Pouco depois, veio o desafio que mudaria os rumos de sua trajetória: a Maratona Monumental de Brasília, primeira etapa do Mega Finisher que disputou.

O objetivo era ousado: completar os 42 quilômetros em menos de três horas. Mas a prova não saiu como planejado. No quilômetro 21, o joelho travou. Com um histórico de problemas na região, Victor precisou diminuir o ritmo e terminou a prova caminhando em alguns momentos.

Mesmo diante da dificuldade, decidiu concluir a maratona. “Meu joelho travou e eu falei: já era. Tive que terminar andando a prova. Foi uma prova muito dura, com muita subida e muita descida, e acabou comigo. Mas concluí a primeira etapa do Mega Finisher, que foi em Brasília”, conta.

A experiência também serviu como aprendizado. Depois da prova, passou a dar ainda mais atenção ao tratamento do joelho, à alimentação, à suplementação e à preparação específica para as maratonas.

Fotos: Arquivo Pessoal

Três países e resultados que surpreenderam

Depois de Brasília, Victor começou a planejar as demais etapas do circuito. A segunda foi em Buenos Aires, em setembro de 2025. Mais preparado, conseguiu um dos resultados que considera importantes em sua trajetória: completou a maratona em 2h53, abaixo da marca de três horas que havia estabelecido como objetivo.

O desempenho mostrou que o sonho de correr em alto nível entre os atletas amadores estava ficando cada vez mais próximo. “Foi uma prova que foi uma virada de chave para poder ver que eu conseguia chegar ainda mais rápido do que pensava”, afirma.

Em maio deste ano, veio a terceira etapa, em Montevidéu. E o resultado foi ainda mais expressivo: Victor terminou em 20º lugar na classificação geral e como segundo melhor brasileiro da prova.

“Foi um negócio fora de série, sensacional. Uma emoção gigante de acabar a prova numa posição assim, que eu também nunca pensaria que conseguiria”, conta.

Fotos: Arquivo Pessoal

Preparação para o Paraguai

Agora, Victor se prepara para a quarta etapa do desafio. A Maratona Internacional de Assunção acontece no dia 30 de agosto e será mais um teste para o petropolitano. A meta é ousada: completar os 42 quilômetros em aproximadamente 2h50.

“Se eu conseguir esse resultado, acho que também fico entre os melhores do Brasil na prova e entre os 30 ou 40 melhores da maratona no geral”, projeta.

Para isso, a preparação ocupa boa parte das manhãs. Victor concilia os treinos com o trabalho como sócio dos irmãos em negócios nas áreas de comércio de moda feminina, importação e construção civil.

A rotina começa cedo. A manhã é dedicada à preparação física, aos treinos e à academia. Depois, vem o trabalho, que pode se estender até a noite. Hoje, porém, a relação com o trabalho também mudou.

“Antes eu só pensava no trabalho. Hoje penso mais na minha saúde, no esporte, na minha família e nos amigos. Porque sem saúde a gente não tem nada. A gente não consegue fazer nada”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal

Corrida como ferramenta de transformação

Para Victor, a corrida trouxe muito mais do que medalhas e resultados. O aprendizado chegou ao ambiente profissional. “A corrida te ensina a ter disciplina, força de vontade e determinação para evoluir a cada dia. No trabalho é a mesma coisa. Se você não se dedicar, sua empresa não vai evoluir no mercado”, compara.

A disciplina adquirida nos treinos passou a influenciar também outras áreas da vida. “A corrida mudou a minha vida. Trouxe qualidade de vida, melhora da forma física, disposição para fazer tudo, disciplina para treinar, determinação para melhorar e buscar os melhores resultados”, finaliza.

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