Nadadora petropolitana conquista medalha de ouro em sua primeira competição internacional
Aos 19 anos, Bela Faria já soma mais de 200 medalhas e venceu atletas de 42 países, levando a bandeira brasileira ao topo do pódio no Swim Grand Prix
Por anos, cada medalha conquistada pela nadadora petropolitana Bela Faria, de 19 anos, formava um mural que crescia junto com ela. E quem acompanhou essa trajetória sabia que era apenas questão de tempo até que ela chegasse ao pódio de uma grande competição internacional. E foi isso que aconteceu recentemente.

Foto: Divulgação
Pela primeira vez competindo fora do Brasil, Bela enfrentou atletas de 42 países no Swim Grand Prix, em Portugal, e conquistou o ouro na prova Sprint de 1 km, além do terceiro lugar geral nos 3,8 km.
“Fui para Portugal acreditando no meu potencial, mas sabia que estaria diante de um dos maiores desafios da minha carreira. Eram atletas de mais de 40 países, muitas delas europeias, acostumadas a competir naquele cenário, com estruturas que nós, brasileiros, muitas vezes só sonhamos em ter. Eram nadadoras muito fortes, experientes e com carreiras brilhantes”, declara.
Em vez de se intimidar pelo currículo das adversárias, Bela decidiu mudar a forma de enxergar a disputa. A estratégia foi colocada à prova em um cenário completamente novo. E, se o nível das adversárias era um desafio, a própria natureza tratou de acrescentar outro: a temperatura da água.
“Mesmo sendo verão europeu, foi o mar mais gelado em que já competi. Meu corpo demorou para se adaptar e precisei manter a calma para não deixar que isso comprometesse minha prova. Nas águas abertas, muitas vezes a maior disputa acontece dentro da nossa própria mente mesmo”, afirma.

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“Bela… do Brasil”
Há momentos que parecem durar apenas alguns segundos, mas ficam para sempre na memória. Para Bela, um deles aconteceu quando ela percebeu que sua primeira experiência internacional terminaria no lugar mais alto do pódio.
“Passei anos imaginando esse momento, mas quando ele finalmente aconteceu, parecia inacreditável. Existe um momento que ficará marcado para sempre na minha memória: ouvir o locutor português anunciar ‘E a primeira nadadora a cruzar a linha de chegada é ela… Bela… do Brasil’”, relembra.
Naquele instante, a medalha deixou de representar apenas uma conquista individual. A jovem que começou a nadar aos quatro anos, para amenizar as crises de bronquite e o sobrepeso, passou por competições locais e nacionais, se profissionalizou em 2018 e construiu uma coleção de mais de 200 medalhas estava, pela primeira vez, representando seu país em uma competição internacional.

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Mais do que medalhas, inspiração
A nadadora, que também se tornou conhecida nas redes sociais por compartilhar treinos, rotina e desafios do esporte, encontrou em Portugal pessoas que já conheciam sua história. “Recebi pedidos de fotos, autógrafos e conversei com atletas e espectadores que acompanhavam minha trajetória pelas redes sociais”, relata.
A experiência fez Bela perceber que sua história já não estava restrita a Petrópolis ou ao Brasil. “Foi emocionante perceber que meu conteúdo consegue atravessar oceanos e inspirar pessoas que nem falam a mesma língua que eu. Ali eu entendi que a medalha é incrível, mas o impacto que conseguimos gerar na vida das pessoas pode ser ainda maior”.
A conquista em Portugal também reforçou uma certeza que, até pouco tempo atrás, parecia distante: a de que ela pode ocupar um espaço no cenário internacional.
“Essa conquista mudou completamente a forma como eu enxergo os meus sonhos. Ela me mostrou que, mesmo enfrentando tantas dificuldades para conseguir patrocínio e incentivo esportivo no Brasil, é possível romper barreiras e competir de igual para igual com alguns dos melhores atletas do mundo”, pontua.

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E o sonho agora é ainda maior
O ouro em Portugal não encerra uma história. Pelo contrário: abre uma nova etapa. Depois de conquistar a vaga para a final mundial do Oceanman 2026, Bela tem pela frente um novo desafio em novembro, na República Dominicana.
“Ainda estou buscando os recursos para tornar essa viagem possível, mas, depois do que vivi em Portugal, embarco com ainda mais confiança e responsabilidade. Quero voltar a vestir a bandeira do Brasil, representar o nosso país com orgulho e lutar, mais uma vez, para colocar o Brasil no lugar mais alto do pódio”, finaliza a atleta.

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