Greves de ônibus impactam rotina e renda de trabalhadores, pais e comerciantes em Petrópolis
Com paralisações frequentes da Turp, população enfrenta dificuldades para trabalhar, estudar e manter o comércio funcionando na cidade
A população de Petrópolis voltou a enfrentar dias de caos por conta das constantes paralisações no transporte público da cidade. Os sucessivos anúncios de greve envolvendo a empresa Turp têm impactado diretamente a rotina dos passageiros, que encontram dificuldades para chegar ao trabalho, às escolas e cumprir compromissos básicos do dia a dia.

Foto Reprodução Redes Sociais
Paralisações
O primeiro alerta aconteceu no dia 8 de maio, quando o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários anunciou estado de greve devido a atrasos salariais. A paralisação, prevista para o dia 12, acabou suspensa após a empresa quitar os pagamentos em aberto. No entanto, poucos dias depois, uma nova ameaça de greve surgiu, desta vez por atraso no pagamento do vale alimentação dos funcionários.
A situação se agravou no dia 18 de maio, quando os rodoviários iniciaram uma paralisação antes mesmo da data prevista pelo sindicato. O impasse gerou caos em diversos bairros e atingiu diretamente quem depende exclusivamente dos coletivos para se locomover.
A Turp Transporte informou que, diante da paralisação ilegal e irregular, que desrespeitou o acordo e, inclusive, o prazo de 72 horas para início, pegando toda a população absolutamente desprevenida, a Turp convocou todos os rodoviários a retomarem imediatamente os postos de trabalho, caso contrário, estarão sujeitos às devidas sanções legais. Mas sem efeito.

Foto: divulgação arquivo
População e comércios impactados
Para a diarista Amanda, o problema vai muito além da falta de ônibus. Segundo ela, toda a estrutura das famílias acaba comprometida.
“Isso vem afetar não somente nós, pais, como os nossos filhos, que tiveram que parar suas atividades escolares, pois os funcionários não conseguem chegar até a escola devido a essa greve. Não é culpa dos motoristas, porque eles também têm família e dependem desse veículo para circular”, comenta.
O impacto também foi sentido no comércio da cidade. Um comerciante, que preferiu não se identificar, relatou prejuízos financeiros e dificuldades para manter o funcionamento do estabelecimento durante os dias de paralisação.
“Hoje a gente tem que buscar funcionário em casa e depois levar novamente. Além disso, perdemos cerca de 50% das vendas durante as paralisações. A cidade perde com isso, a prefeitura perde em arrecadação e toda a população sofre”, desabafou.

Foto: arquivo Aline Rickly
Intervenção e fim da grave
Diante da sequência de falhas no serviço, a Prefeitura de Petrópolis decretou intervenção na Turp Transportes e assumiu temporariamente a operação das 93 linhas que eram administradas pela empresa. A medida foi tomada após denúncias recorrentes de ônibus quebrados, atrasos constantes, viagens canceladas e paralisações frequentes.
A greve foi encerrada no dia 21 de maio, após reuniões entre representantes da Prefeitura, da CPTrans, do sindicato e da empresa. A circulação dos ônibus começou a ser retomada gradativamente, mas a população ainda convive com a insegurança de novos episódios semelhantes.
Enquanto trabalhadores reivindicam direitos básicos e a empresa enfrenta dificuldades operacionais, quem mais sofre continua sendo a população petropolitana e o comércio local.
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