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Entre o diagnóstico e a esperança: duas petropolitanas compartilham histórias de luta contra o câncer de mama

Saúde

Entre o diagnóstico e a esperança: duas petropolitanas compartilham histórias de luta contra o câncer de mama

Enquanto Hendora Balter celebra a cura após quatro anos de tratamento, Ivone Rodrigues ainda enfrenta a doença e fala sobre os desafios de viver um dia de cada vez

Para algumas mulheres, o Outubro Rosa é marcado pela importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Para outras, a campanha também representa uma oportunidade de contar histórias sobre medo, tratamento, mudanças e, principalmente, esperança.

Fotos: Arquivo Pessoal

É o caso de Hendora Balter e Ivone Rodrigues, duas petropolitanas que tiveram suas vidas atravessadas pelo câncer de mama em momentos diferentes. Hendora descobriu a doença em 2021 e, após passar por quimioterapia, cirurgia, radioterapia e um ano de medicação oral, recebeu do médico a notícia de que estava curada. Ivone recebeu o diagnóstico em janeiro de 2025 e ainda segue em tratamento.

Apesar de viverem fases diferentes da doença, as duas encontram na fé, na família e no apoio de outras pessoas forças para seguir em frente.

“Fiquei tão assustada que não conseguia falar nada”

Hendora descobriu o câncer de mama em plena pandemia, em 2021. O diagnóstico veio depois que ela percebeu um caroço enquanto vestia uma blusa. “Fiquei muito preocupada, pois sempre fiz exame e nunca apareceu nada”, conta.

Ela procurou um médico, realizou uma biópsia e recebeu a confirmação de que se tratava de um câncer de mama. A notícia, segundo ela, foi um dos momentos mais difíceis de sua vida.

“Quando recebi a notícia, eu fiquei tão assustada que não conseguia falar nada. Saí do consultório chorando com o meu esposo. Foi um momento muito doloroso. Só pensava no meu esposo, nos meus filhos, na minha família, no meu neto e em como seria esse tratamento”, relata.

A partir dali, começou uma jornada que duraria anos. Hendora passou por quimioterapia, cirurgia, radioterapia e ainda tomou medicação oral durante um ano. O tratamento trouxe enjoos, cansaço e momentos de tristeza. Mas, segundo ela, a fé e o apoio que recebeu foram fundamentais para enfrentar cada etapa.

“Enfrentei todo o tratamento com muita garra e muita fé, pois tenho um Deus maravilhoso que cuidou de todos os detalhes e esteve comigo todos os dias”, afirma.

Além da família, Hendora encontrou apoio na igreja e nas pessoas que conheceu durante o tratamento. Algumas delas acabaram se tornando grandes amigas.

“O período de tratamento não é fácil, mas através dele conheci pessoas que viraram amigos e que me deram muita força. Não deixaram minha autoestima cair, me colocaram para cima e me diziam todos os dias que estavam comigo, que era só um processo que ia passar. E passou”, conta.

O momento em que Hendora sentiu que estava deixando aquela fase para trás veio quando ouviu do médico que estava curada. “Foi um alívio saber que todo o tratamento deu certo. Deus é fiel em todo o tempo.”

Hoje, quatro anos depois do início do tratamento, ela diz estar bem e vivendo um dia de cada vez. Durante a jornada, também conheceu a APPO, onde encontrou acompanhamento psicológico, terapia e novas amizades. “A APPO é a segunda família para mim. E para os pacientes oncológicos também, porque são uma bênção em nossas vidas.”

Fotos: Arquivo Pessoal

“Foi uma jornada que eu não escolhi”

Enquanto Hendora já recebeu a confirmação da cura, Ivone ainda está vivendo o processo. Ela descobriu o câncer de mama em janeiro de 2025 e descreve o diagnóstico como um momento que mudou completamente sua perspectiva de vida.

“É uma notícia que a gente nunca espera receber e que muda completamente a nossa perspectiva de vida. No primeiro momento, surgem muitas perguntas, medos e incertezas”, relata.

Ivone passou por quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Atualmente, segue com a hormonioterapia. A rotina de tratamento trouxe mudanças físicas e emocionais. Vieram a perda de cabelo, alterações hormonais, limitações físicas, cansaço e um processo de recuperação que também precisou ser vivido dentro de casa.

“É um tratamento que não acontece apenas no hospital. Ele também exige força dentro de casa, nas pequenas tarefas do dia a dia e nos momentos em que precisamos respeitar nossos próprios limites”, lembra.

Para Ivone, uma das principais transformações foi entender que não precisa ser forte o tempo todo. “Aprendi que nem todos os dias somos fortes. Existem dias de medo, de insegurança e de fragilidade, e está tudo bem reconhecer isso”.

A doença também mudou a forma como ela enxerga o próprio corpo e a rotina. “Passei a olhar para a vida de outra maneira, a respeitar mais o meu corpo, a entender que preciso desacelerar e que não posso exigir de mim mesma o mesmo ritmo de antes. Aprendi que cuidar de mim também é uma necessidade, não um ato de egoísmo”.

Fotos: Arquivo Pessoal

Fé e apoio para seguir em frente

Assim como Hendora, Ivone encontrou na fé uma das principais fontes de força durante o tratamento. “A minha fé em Deus tem sido uma das minhas maiores forças, trazendo conforto, esperança e a certeza de que não estou sozinha”.

A família, a igreja e a APPO também fazem parte dessa rede de apoio. Para ela, a ajuda psicológica, as rodas de conversa e a fisioterapia foram importantes não apenas para o bem-estar físico, mas também emocional. “Aprendi que posso ter medo, chorar e ter dias difíceis, mas não preciso enfrentar tudo sozinha”.

Enquanto ainda segue entre exames, consultas e acompanhamento médico, Ivone já pensa no que quer encontrar quando essa fase passar: saúde, tranquilidade, qualidade de vida e a possibilidade de retomar seus projetos e aproveitar a família. “Quero retomar meus projetos, aproveitar minha família, meus filhos e meus netos, e viver com mais leveza, valorizando cada momento”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal

Uma mensagem para outras mulheres

Mesmo vivendo momentos diferentes, Hendora e Ivone têm uma mensagem em comum: o diagnóstico não precisa significar o fim da vida.

Para Hendora, que já passou pelo tratamento, é importante que uma mulher recém-diagnosticada saiba que o câncer não é uma sentença de morte. “Tenha fé, coragem. Acredite que vai passar. É só um processo. Viva um dia de cada vez e Deus estará sempre com você”.

Ivone também reforça a importância de procurar ajuda, observar os sinais do próprio corpo e não enfrentar a doença sozinha. “É muito importante fazer os exames, procurar ajuda médica e não negligenciar os sinais do próprio corpo. E, principalmente, não ter vergonha de pedir ajuda, de demonstrar fragilidade ou de precisar de apoio”.

Ainda em tratamento, ela sabe que o caminho continua sendo feito aos poucos. “É um processo de cuidado contínuo, que exige paciência, fé e resiliência. O câncer faz parte da minha história, mas não define quem eu sou. Continuo tendo sonhos, planos e motivos para viver. E sigo um dia de cada vez, com fé e esperança”, finaliza.

Fotos: Arquivo Pessoal

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