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Dog’s Heaven enfrenta superlotação com mais de 300 animais e pede ajuda em Petrópolis

Petrópolis do bem

Dog’s Heaven enfrenta superlotação com mais de 300 animais e pede ajuda em Petrópolis

ONG precisa de cerca de R$ 45 mil por mês para manter o abrigo, que atualmente acolhe 320 cães; voluntários também pedem mais adoções e apoio à causa animal

Cerca de 320 cães vivem atualmente na Dog’s Heaven, entidade da causa animal em Petrópolis. Com o abrigo superlotado, aumento dos custos e poucas adoções, a instituição enfrenta dificuldades para manter a estrutura e atender à demanda de animais abandonados na cidade.

Fotos: Arquivo Pessoal

Segundo Felipe Mendes, voluntário da Dog’s Heaven e representante da ONG no Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (COMUPA), são necessários cerca de R$ 45 mil por mês para manter o trabalho.

“Podemos colocar ali uns R$ 35 mil para ração, mas tem o aluguel do espaço, que está girando em torno de R$ 12 mil. Não é um espaço próprio e isso atrapalha muito também”, explica.

A situação ficou ainda mais difícil com a chegada de novos animais. “Só em junho chegaram 28, principalmente ninhadas de filhotes abandonados. As pessoas, quando não jogam pelo portão, deixam no caminho que o voluntário passa, sabendo que nós vamos pegar. Parte desses animais já conseguiu um novo lar, mas alguns ainda permanecem no abrigo”, relata.

Fotos: Arquivo Pessoal

Cerca de metade dos cães é idosa

Dos aproximadamente 320 animais, Felipe estima que cerca de 160 sejam idosos. São cães que, em muitos casos, têm mais dificuldade para conseguir uma família por causa da idade ou de problemas de convivência.

“São cachorros que a gente sabe que às vezes não vão sair de lá por serem velhos, por não se darem com outros animais ou por não se darem com crianças. Tem pessoas que abandonam os animais porque ele mordeu a criança ou porque brigou com outro cachorro”, aponta

A superlotação também é agravada por pessoas que procuram diretamente a instituição para entregar animais que não querem mais. “Muitas pessoas pegam o número do Sr Guilherme para abandonar o cachorro com ele, para se livrar do cachorro. A gente tenta evitar ao máximo que as pessoas tenham contato com o Sr Guilherme”, conta Felipe.

O seu Guilherme, citado pelo voluntário, tem 77 anos e é uma das principais figuras à frente da rotina do abrigo. Além dos animais mantidos na Dog’s Heaven, ele ainda acolhe 14 cães em sua própria casa.

“As pessoas acabam usando a bondade dele, porque sabem que o seu Guilherme não vai recusar. Ele sabe que, se não pegar aquele cachorro, a pessoa pode abandoná-lo em qualquer lugar. Então, acaba acolhendo”.

Saiba mais: [Personalidades Petropolitanas] Conheça a história do Sr. Guilherme, o fundador da Dog’s Heaven

Foto: Katia Coronato

Pedidos de resgate continuam chegando

Mesmo com a lotação máxima, os pedidos de ajuda não param. Segundo Felipe, a situação se repete nas feiras de adoção e nas redes sociais da instituição. “Em todas as feiras aparece alguém. É um negócio incrível: ninguém pergunta se está tudo bem, se vocês precisam de ajuda. Sempre alguém fala: ‘Estou com um cachorro que eu não quero mais, onde posso deixar?’. Ou: ‘Minha cachorra engravidou, quero doar os filhotinhos, posso deixar com vocês?’”, relata.

Por isso, os voluntários tentam encontrar alternativas para ajudar sem aumentar a quantidade de animais no abrigo. Uma delas é divulgar cães que estão com tutores e precisam de uma nova família nas redes sociais. A instituição reforça, porém, que não tem condições de continuar recebendo animais por falta de ajuda e de adoção.

O cenário das adoções também preocupa. Em setembro, segundo ele, apenas um animal havia conseguido um novo lar. “É muito pouco para um abrigo que tem 320 e todas essas demandas”, avalia.

Fotos: Arquivo Pessoal

Doações ajudam a manter alimentação e cuidados

A alimentação é uma das principais despesas da instituição, mas não é a única. Os recursos também são utilizados para medicamentos, cuidados com os animais idosos, cobertores, vacinação, vermifugação e castração.

“Quando a gente recebe filhote, a gente castra todos eles antes de ir para a feira. Dá vacina, dá vermífugo, cuida deles o tempo todo para já chegar nas feiras de adoção pronto para uma família”, explica Felipe.

Quem quiser ajudar financeiramente pode fazer uma doação pelo Pix da instituição: CNPJ: 18.667.467/0001-55. Além do Pix, a Dog’s Heaven recebe doações de ração, brinquedos, caminhas e roupas. A instituição também mantém um bazar, vende camisetas e conta com um programa de sócios, com contribuições mensais.

Outra iniciativa é o projeto “Adote uma Baia”, voltado principalmente para empresas. A contribuição ajuda a manter os três cães que vivem em determinada baia e o nome da empresa parceira é colocado em uma placa no local. “Mostra que a empresa também ajuda a causa e está ali em um projeto maravilhoso com a gente”, reforça.

Fotos: Arquivo Sou Petrópolis

Voluntariado também faz a diferença

O dinheiro, porém, não é a única forma de ajudar. A Dog’s Heaven também precisa de pessoas dispostas a doar tempo. “Além das doações financeiras, o tempo das pessoas também é muito, muito valioso para a gente”, afirma.

Entre as atividades estão limpeza dos canis, alimentação dos animais, manutenção do espaço, mutirões de vacinação e aplicação de medicamentos contra pulgas. Os passeios também são uma parte importante da rotina. Toda sexta-feira, voluntários vão ao abrigo para retirar os cães das baias e levá-los para caminhar.

“Para um animal, por mais que a gente cuide, é muito estressante ficar em um espaço com outros dois ou três cachorros ali o tempo todo. Tem voluntários que vão lá, tiram eles das baias, passeiam em volta do abrigo. Eles brincam, cheiram, se divertem, gastam energia. Isso também é muito importante”, explica.

A instituição também procura voluntários para as feiras de adoção, para ajudar no bazar, divulgar a ONG e arrecadar tampinhas e lacres de latinhas, que são vendidos e têm o dinheiro revertido para o canil.

Outra demanda é por parcerias com faculdades e cursos de veterinária. “Seria muito bom ter mais turmas de futuros veterinários indo lá conhecer, aproveitando para ganhar conhecimento em geral e também ajudando a identificar um machucado, tirar um carrapato, aplicar uma vacina”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal

Feira de adoção é mais do que encontrar um lar

As feiras de adoção são uma das principais ferramentas da Dog’s Heaven para encontrar famílias para os animais, mas também ajudam a divulgar o trabalho da instituição e a conseguir novas parcerias e doações. “A pessoa sabe que tem a feira e leva a tampinha, leva uma roupinha, leva uma doação em dinheiro. São extremamente importantes”, conta.

Para os voluntários, cada adoção tem um peso especial, principalmente quando envolve cães que passaram anos no abrigo. “Para as pessoas que estão lá há mais tempo, que veem um animal que às vezes está lá há cinco, seis anos no canil e ganha uma chance, ganha uma família, é muito bom”, relata.

Ele lembra que, em algumas dessas despedidas, a emoção toma conta dos voluntários. “Mais de uma vez aconteceu de um cachorro muito antigo ser adotado. Na hora de tirar foto, tinha dois ou três voluntários chorando, com os olhos vermelhos. É uma mistura de sentimento muito boa: feliz demais pelo cachorro ter conseguido uma chance, mas triste por perder o contato com ele”, conta.

A instituição costuma pedir que as famílias mantenham contato depois da adoção. “A gente gosta muito desse feedback, das pessoas mandando foto, marcando no Instagram, passando para a gente como está o dia a dia. Isso muda nossa rotina porque incentiva a gente a continuar”, afirma.

Fotos: Divulgação e Arquivos Sou Petrópolis

Falta de estrutura preocupa protetores

Além das dificuldades internas, a Dog’s Heaven chama atenção para o que considera uma falta de estrutura pública para atender à demanda da causa animal em Petrópolis. Felipe, que também representa a ONG no COMUPA, afirma que a situação não é exclusiva da instituição e que outros protetores e abrigos também enfrentam lotação. “Na causa animal sempre foi ruim. Entra governo, sai governo, não muda”, afirma.

Ele também cita o trabalho do órgão municipal responsável pela fiscalização de maus-tratos, o COBEA, mas avalia que faltam recursos e estrutura para ampliar a atuação. “Por mais que tenham pessoas lá que queiram trabalhar, não tem recurso. Sempre foi muito sucateado”, diz.

Segundo Felipe, outro problema é a falta de espaços para encaminhar animais resgatados. “Os outros protetores que a gente sabe que têm contato com lar temporário ou até abrigo estão todos lotados. Todo mundo está lotado e não tem um espaço grande. Então acaba caindo a responsabilidade sobre quem também não tem como aceitar mais”, afirma.

A instituição também cita dificuldades para realizar ações em parceria com o poder público. “Quando vai fazer alguma adoção com a Prefeitura, é uma luta. Uns meses atrás, a gente fez na Praça da Liberdade e o máximo que conseguimos foi uma tenda. O resto a gente teve que se virar”, relata.

Fotos: Arquivo Pessoal

Hospital veterinário público

Felipe também menciona o projeto de um hospital veterinário público para Petrópolis, que, segundo ele, está parado na Secretaria de Saúde.

“A gente estava com o projeto do hospital veterinário, mas está parado na Secretaria de Saúde. Petrópolis pode acabar perdendo uma oportunidade gigantesca de ter um hospital veterinário público que atenderia toda a Região Serrana”, afirma.

Atualmente muitos moradores precisam levar os animais para atendimento em Duque de Caxias. “Muita gente sai daqui de Petrópolis para levar para Caxias. É um gasto enorme, além do transporte. Às vezes o animal está com dor e todo o transporte também é dolorido para ele”, explica.

Fotos: Arquivos Sou Petrópolis

Apelo é por mais pessoas dispostas a ajudar

Para Felipe, a situação da Dog’s Heaven mostra a necessidade de ampliar não apenas as doações, mas também o número de pessoas dispostas a assumir responsabilidades na causa animal. “Se eu pudesse deixar um apelo, seria mais ajuda, braçal e financeira”, afirma.

Ele destaca novamente a rotina do seu Guilherme, de 77 anos. “Deus queira que ele viva para mais de 100 anos, mas a gente sabe que ele está a cada dia mais limitado. É ele que dirige, é ele que cuida, às vezes dos cachorros também, todo dia ele está no abrigo. A gente precisa de mais ajuda”, diz.

Fotos: Arquivo Pessoal

Para a Dog’s Heaven, a continuidade do trabalho depende da união entre voluntários, doadores, empresas e pessoas dispostas a adotar.

“Não vai haver outra pessoa igual ao seu Guilherme. Isso nunca. Mas a gente precisa de pessoas dispostas a seguir o caminho dele, a pegar uma responsabilidade igual ele pegou, que tenham responsabilidade financeira e moral, que não usem os cachorros como palanque, mas que realmente queiram, de coração, manter esse trabalho. Precisamos de mais ajuda, mais doações, mais pessoas e mais divulgação. É tudo de que precisamos neste momento”, finaliza.

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