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Petropolitano Gustavo Leal inicia novo capítulo no futebol canadense após ouro olímpico

Esporte

Petropolitano Gustavo Leal inicia novo capítulo no futebol canadense após ouro olímpico

Treinador petropolitano e medalhista de ouro em Tóquio com a Seleção Brasileira assumiu recentemente o Atlético Ottawa

A carreira de Gustavo Leal, treinador petropolitano que já conquistou uma medalha de ouro olímpica com a Seleção Brasileira na Olimpíada de Tóquio ganhou um novo capítulo. Depois de experiências no Brasil, México, Chile e Eslováquia, o profissional de 40 anos agora está no Canadá, onde assumiu o comando do Atlético Ottawa.

Fotos: Arquivo Pessoal

O convite surgiu por meio do Atlético de Madrid, grupo ao qual pertence o clube canadense e onde Gustavo já havia trabalhado, no Atlético de San Luis, no México. “Era um amor antigo que agora conseguimos concretizar”, conta.

Uma paixão que começou na Copa de 1994

A relação de Gustavo com o futebol começou ainda na infância, mas de uma maneira diferente da maioria dos brasileiros. Aos oito anos, durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, ele se apaixonou primeiro pela Seleção Brasileira antes mesmo de escolher um clube para torcer.

“Eu lembro da Copa de 1994 com perfeição, não só dos jogos do Brasil, mas de vários outros jogos que assisti naquele ano. Desde então, o futebol entrou na minha vida de uma maneira muito forte, ocupando um tempo muito grande dos meus dias. Soube que queria estar envolvido profissionalmente com o futebol”, relembra.

Como acontece com muitos meninos, o primeiro sonho foi ser jogador. Mas, ao perceber que não conseguiria ir por esse caminho dentro de campo, Gustavo encontrou outra forma de permanecer no futebol, sendo treinador.

Desde pequeno, ele já demonstrava características de liderança e organização. “Eu sempre era aquele cara que marcava os jogos, organizava o time e reunia os meninos para fazer determinado jogo. Acho que essa veia de liderança dentro do futebol sempre esteve presente em mim desde muito novo”, afirma.

Foto: Arquivo Pessoal

De Petrópolis ao ouro olímpico

A formação profissional passou por diferentes etapas. Gustavo começou em Petrópolis, passou pelo Carangola e o Serrano e, posteriormente, chegou ao Fluminense, onde permaneceu por cinco anos e meio.

No clube carioca, teve contato com diferentes categorias e também com o futebol profissional. Para ele, esse período foi uma espécie de graduação dentro da profissão.

A experiência acumulada ajudou a prepará-lo para um dos maiores desafios da carreira: integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira Olímpica e conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

“Quando cheguei à Seleção, já tinha bastante experiência e maturidade, apesar da idade. Isso foi gerado pelas muitas experiências que passei e pelas pessoas que conheci ao longo desse caminho”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal

Disciplina para trabalhar sob pressão

As diferentes experiências também ajudaram Gustavo a construir a maneira como enxerga o futebol. Entre os principais aprendizados, ele destaca a disciplina e a busca constante por excelência.

“Nem todos os dias você acorda com a mesma motivação, mas existem trabalhos que precisam ser feitos. É preciso encará-los e manter um padrão de excelência. É muito importante, principalmente em situações de muita pressão e muita ilusão, ter uma base sólida, manter os pés no chão e enxergar o caminho do que precisa ser feito a cada dia”, explica.

Fotos: Arquivo Pessoal

Uma carreira construída fora do Brasil

Depois da experiência na Seleção, Gustavo passou a ampliar também sua atuação internacional. Trabalhou no México, Chile e Eslováquia antes de chegar ao Canadá.

A busca por experiências fora do país, segundo ele, não está relacionada apenas à abertura de novos mercados profissionais. Existe também um objetivo pessoal de conhecer diferentes culturas e continuar evoluindo. Mas, mesmo trabalhando em diferentes países, a identidade futebolística continua sendo brasileira.

“Minha paixão é pelo futebol brasileiro. Eu cresci assistindo Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Kaká. É isso que carrego dentro de mim e que me motiva a trabalhar com futebol. Dentro de cada país, tento levar um pouco do futebol brasileiro para os clubes em que trabalho. Meu desafio é entender o quanto me permitem e a qual velocidade posso caminhar para que, no final, o resultado que eu entregue seja parecido em todos os clubes: um futebol eficiente, que busque resultados, mas que também seja vistoso para os torcedores”, explica.

O trabalho, segundo Gustavo, também já ajudou a desenvolver jogadores que chegaram a suas respectivas seleções. Na última Copa do Mundo, ele conta que oito atletas que passaram por seu trabalho estiveram na competição.

Fotos: @cbf_futebol

Novo desafio no futebol canadense

No Atlético Ottawa, Gustavo encontra um futebol em processo de crescimento. O Canadá, que viveu uma expansão significativa do esporte nos últimos anos, também oferece um novo ambiente para o treinador colocar em prática sua experiência internacional.

“As minhas primeiras impressões são muito boas. O futebol no Canadá tem crescido muito e hoje já é o esporte mais praticado entre os jovens aqui. A liga está em crescimento e desenvolvimento constante, então tenho uma expectativa muito boa de trabalho por aqui”, afirma.

O objetivo inicial é deixar uma marca no clube. “A curto prazo, quero conseguir marcar meu nome na história do clube no Canadá. Acabei de chegar, já consegui fazer isso em outros clubes por onde passei e gostaria de fazer isso aqui também. Quero deixar um legado para o futuro”, projeta.

Fotos: Arquivo Pessoal

Petrópolis como ponto de partida

Apesar de viver há anos entre diferentes países, Gustavo não deixou Petrópolis para trás. A cidade continua sendo a base da família e o lugar para onde retorna durante períodos de férias ou entre trabalhos.

“Minha relação com Petrópolis é total. Continua sendo a minha base. É onde estão minha família, meus pais, meus tios e meus amigos. Foi onde conheci minha esposa e onde também está a família dela”, conta.

Gustavo e a família mantêm uma casa em Itaipava e pretendem que os filhos também tenham contato com as raízes da cidade. “Quero que meus filhos cresçam ali e tenham as mesmas raízes que a gente teve, porque minha cidade é muito especial e muito importante nas nossas vidas”, afirma.

Representar Petrópolis também ganhou um significado especial na carreira. Gustavo lembra de profissionais da cidade que serviram como referência e mostraram que era possível construir uma trajetória de sucesso fora do município.

“Parte da minha caminhada também foi possível por eu ter exemplos de profissionais de sucesso da cidade, como o Marcelo Veiga e o Murilo Guerra. Enxergar que profissionais da sua cidade conseguiram sair e ter uma carreira de sucesso me fez querer traçar o mesmo caminho”, afirma.

Agora, ele espera que a própria trajetória possa cumprir função semelhante para quem está começando. “Se em algum momento eu servir de exemplo ou de motivação para uma nova geração de profissionais, mostrando que é possível traçar um caminho que você tenha planejado para você, acho que parte do meu dever terá sido cumprido”, completa.

Fotos: Arquivo Pessoal

O sonho de uma Copa do Mundo

Aos poucos, os objetivos de Gustavo também vão ganhando dimensões maiores. Depois do ouro olímpico e de uma carreira internacional em expansão, existe um sonho que permanece no horizonte: disputar uma Copa do Mundo.

“Meu sonho máximo é disputar uma Copa do Mundo. Claro que, se fosse pela Seleção Brasileira, seria o ponto máximo da minha carreira. Mas, mesmo que não seja possível pela Seleção Brasileira e eu tenha que realizar esse sonho por outro país, esse é o nosso maior objetivo”, revela.

Antes disso, porém, existe outro desejo: trabalhar novamente no futebol brasileiro. “Em algum momento gostaria de comandar um clube no futebol brasileiro e fazer um bom trabalho. Minha família e meus amigos estão lá, então seria muito especial ter a presença deles nas arquibancadas com mais frequência do que tenho aqui fora”, finaliza.

Por enquanto, o caminho passa pelo Canadá. No Atlético Ottawa, Gustavo inicia mais uma etapa de uma carreira que começou quando um menino de oito anos se encantou pela Seleção Brasileira durante a Copa de 1994.

Trinta anos depois, aquele garoto que queria estar perto do futebol já conquistou um ouro olímpico, trabalhou em diferentes países e continua perseguindo novos sonhos. E, mesmo longe, segue carregando Petrópolis consigo.

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