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Projeto transforma hospitais em cenários de esperança e imaginação em Petrópolis

Petrópolis do bem

Projeto transforma hospitais em cenários de esperança e imaginação em Petrópolis

Há sete anos, “True Readers” leva personagens, histórias em quadrinhos e acolhimento emocional para crianças internadas

Entre capas, escudos, coroas e histórias em quadrinhos, um grupo de voluntários tem transformado quartos hospitalares em espaços de imaginação e acolhimento em Petrópolis. A iniciativa “True Readers” utiliza a chamada hero-terapia para levar entretenimento, apoio emocional e incentivo à leitura a crianças internadas em hospitais da cidade.

Fotos: divulgação

Início

Criado em 2019 por Rogério Cogliatti, o projeto nasceu de uma experiência pessoal delicada. Após ser desligado da empresa na qual trabalhou por 24 anos, ele passou por um susto de saúde que mudaria sua trajetória.

“Fui fazer um check-up e o médico verificou que eu estava prestes a ter um infarto. Passei por um cateterismo de urgência no Hospital Santa Teresa e precisei ficar internado por dois dias. O tempo dentro de um hospital realmente não passa. Foi ali que pensei em como as crianças internadas deveriam se sentir”, relembra Rogério.

Fotos: divulgação

Fã de quadrinhos desde a infância, ele decidiu unir a paixão pelos heróis ao desejo de ajudar outras pessoas. O primeiro personagem que ganhou de presente do pai foi o Capitão América — figura que se tornou símbolo do projeto.

“Decidi que, se o maior herói de todos me ajudasse a recuperar a saúde, eu levaria revistas em quadrinhos para amenizar o desconforto das crianças internadas e estimular o hábito da leitura”, conta.

Assim nasceu a hero-terapia, nome dado às interações promovidas pelo grupo dentro dos hospitais. Além das visitas caracterizadas, o projeto distribui revistas em quadrinhos, livrinhos de colorir e kits com giz de cera para as crianças.

Personagens que levam acolhimento

Hoje, o grupo conta com voluntários que interpretam heróis e princesas conhecidos do universo infantil e da cultura pop. Rogério atua como Capitão América, enquanto outros integrantes dão vida a personagens como Batman, Superman, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha, Pantera Negra, Tempestade, Cinderela, Branca de Neve, Feiticeira Escarlate e Spider Gwen.

Fotos: divulgação

O grupo também ganhou uma nova integrante. Recém-chegada, Márcia Cristina Rocha Machado, intérprete da Spider Gwen, afirma estar emocionada com a oportunidade de participar das ações.

“A Mulher Aranha está ansiosa e muito feliz por participar desta missão e levar um sorriso caloroso a quem precisa de tão pouco”, declarou.

Fotos: divulgação

Segundo o fundador, o maior objetivo é transformar, mesmo que por alguns minutos, a rotina hospitalar das crianças.

“A oportunidade de realizar as visitas é algo realmente maravilhoso. A cada visita conhecemos os verdadeiros heróis e princesas, que são as crianças lutando pela própria saúde”, afirma.

Ele destaca que muitas crianças se emocionam ao encontrar os personagens pessoalmente.

“As crianças amam e algumas nem acreditam quando os personagens entram no quarto. Nossa missão é levar a magia dos personagens ao vivo e manter viva a imaginação infantil mesmo após a visita, por meio das revistas e livrinhos”.

Fotos: divulgação

Histórias que continuam além do hospital

Ao longo dos quase sete anos de atuação — que serão completados em junho de 2026 — o grupo acumulou histórias marcantes. Algumas delas deram origem aos chamados “Membros Mirins”, crianças que foram visitadas durante internações e mantiveram contato com o projeto após receberem alta.

“A maioria dessas crianças já chegou à adolescência hoje  e recebeu o título de membros honorários, para que se tornem a próxima geração de voluntários”, conta Rogério.

O reconhecimento também chegou oficialmente. O grupo já recebeu uma Moção Congratulatória pelos serviços prestados à comunidade petropolitana.

Fotos: divulgação

Atuação em hospitais, escolas e instituições

As visitas acontecem em hospitais como Hospital Santa Teresa (HST), Hospital Alcides Carneiro (HAC) e unidades da Unimed, além de escolas, ONGs e instituições que atendem crianças em situação de vulnerabilidade. O projeto também participa de ações sociais em parceria com instituições municipais, como o GAAPE e o IN-cluir Petrópolis.

Além do entretenimento, o grupo acredita no impacto emocional da hero-terapia para pacientes, familiares e até profissionais da saúde.

“Levamos sempre uma mensagem de apoio para as famílias, procurando aliviar a tensão do ambiente hospitalar. Também buscamos interagir com as equipes médicas, e esse efeito positivo é o que nos impulsiona a continuar”, diz.

Fotos: divulgação

Seleção e cuidados durante as visitas

Apesar do clima lúdico, o trabalho exige responsabilidade. Os integrantes passam por entrevistas, questionários e avaliação do conselho deliberativo antes de integrarem oficialmente o grupo. Além disso, todos recebem orientações sobre as regras hospitalares e os cuidados necessários durante as visitas.

“Algumas crianças possuem restrição de contato. Nesses casos, interagimos apenas da porta do quarto e entregamos os kits aos responsáveis”, explica Rogério.

Fotos: divulgação

Próximos sonhos

Sem vínculos políticos, religiosos ou financeiros, o grupo funciona de maneira totalmente voluntária. Os próprios integrantes custeiam fantasias e materiais utilizados nas ações. Um dos apoios recebidos vem da editora Culturama, de Santa Catarina, responsável pela publicação dos quadrinhos Disney no Brasil, que fornece materiais para doação.

“O grupo não recebe doações em dinheiro ou via PIX. Cada membro possui suas convicções e o respeito prevalece na família True Readers”, destaca.

Entre os próximos sonhos do grupo está a publicação de um livro contando a trajetória da iniciativa. O projeto já possui um rascunho em análise pela Editora Heroica, de São Paulo.

“Buscamos patrocinadores para conseguir alavancar o projeto do livro da iniciativa True Readers. Nossa história não começa agora, nem termina aqui. Avante!”, finaliza.

Fotos: divulgação

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