Atleta da Comunidade do Neylor, em Petrópolis, conquista título mundial de jiu-jitsu e constrói carreira internacional
Morando há mais de uma década na Malásia, Bruno Barbosa já competiu em mais de 16 países e, em 2025, se tornou campeão mundial na maior competição da modalidade
Da Comunidade do Neylor, no Retiro, para o topo do mundo, essa é a trajetória do lutador petropolitano Bruno Barbosa. Hoje morando em Kuala Lumpur, na Malásia, e com passagens por mais de 16 países no currículo, o atleta alcançou, em 2025, o maior feito da carreira: o título de campeão mundial master de jiu-jitsu pela principal federação da modalidade. Uma conquista que vai além do tatame, e carrega consigo uma história de trabalho duro, coragem e persistência.

Fotos: Arquivo Pessoal
Do sonho ao troféu
Fã de esportes desde criança, Bruno começou no futebol, como muitos brasileiros. Mas foi nas artes marciais que encontrou sua verdadeira vocação. Depois de passar por modalidades como kung-fu, capoeira e aikido, decidiu experimentar o jiu-jitsu em 1999, decisão que mudaria sua vida.
Seu primeiro professor foi Rivelino Nascimento Margarido, em Petrópolis, onde iniciou sua formação até a faixa roxa. Mais tarde, já conciliando trabalho e treinos, seguiu com o professor Adalberto “Buda” de Souza, onde conquistou a faixa preta em 2007.
Entre caminhões e campeonatos
Antes de viver do esporte, Bruno enfrentou uma rotina puxada. Trabalhou em supermercados da cidade descarregando caminhões de hortifruti enquanto tentava manter os treinos.
“Eu tinha que conciliar os treinos e competições com meu trabalho, o que era bastante desafiador. Eu sempre li muitas revistas de artes marciais e eu sabia que se eu treinasse e lutasse muito, eu conseguiria ser alguém no mundo do Jiu-Jitsu no futuro. Eu acreditei mesmo sem qualquer garantia de que eu conseguiria”, conta.
Do Brasil para o mundo
A decisão de sair de Petrópolis veio da busca por crescimento. Depois de anos competindo no Rio de Janeiro, Bruno entendeu que precisava de novos desafios.
“Infelizmente o esporte não é muito valorizado no Brasil. Os apoios e patrocínios que eu tinha eram de pessoas que eram meus parceiros de treino. Não era fácil, mas como eu sempre me mantive muito ativo eu acredito que isso atraiu pessoa boas que tinham prazer em me ajudar, mesmo que a única coisa que eu dava em retorno era trabalho duro e comprometimento”, relembra.

Fotos: Arquivo Pessoal
Bruno já competiu em países como o Japão, Macau, Portugal e Estados Unidos. E há 13 anos fixou residência na Malásia, onde chegou a ser técnico da seleção nacional de jiu-jitsu. Mas, no início, a adaptação não foi simples.
“Os maiores desafios de morar fora são a saudade da família, o novo idioma e uma nova cultura. Nós somos o de fora, então temos que nos adaptar ao novo mundo onde vivemos”, afirma.
Evolução fora do país
Ao chegar ao exterior, Bruno percebeu que precisaria se reinventar. Segundo ele, o nível de estudo e preparação era diferente. “Eu praticamente tive que desaprender o que sabia e aprender tudo novamente”, conta.
O contato com novas metodologias de treino e preparação acabou sendo essencial para sua evolução. “O jiu-jitsu é muito complexo quando se trata de treinamento, e foi treinando e competindo fora que eu aprendi muito”, completa.

Recebendo o troféu de número um do ranking pela liga niteroiense aos 17 anos em 2000 e recebendo uma monção congratulatória das mãos do presidente da federação de Jiu-Hitsu da Malásia pelos serviços prestados como técnico da seleção de jiu-jítsu da Malásia. Fotos: Arquivo Pessoal
Rotina intensa e dedicação diária
Hoje, Bruno concilia a vida de atleta com a de instrutor em tempo integral. Sua rotina inclui treinos com alunos de segunda a sábado, além de uma preparação própria intensa.
“Eu tento equilibrar minha vida de atleta com a profissão de instrutor”, explica. Dependendo da fase, chega a treinar até duas vezes por dia, um reflexo do comprometimento que mantém desde o início da carreira.
Uma conquista histórica
Entre tantos momentos marcantes, um se destaca: o Campeonato Mundial Master de 2025, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos. Considerado o maior do mundo na modalidade, o evento reuniu mais de 12 mil atletas.
“Foi onde eu me tornei campeão mundial pela primeira vez. Me tornando também o primeiro petropolitano campeão mundial master faixa preta pela federação que é a mais importante de Jiu-Jitsu do mundo, a IBJJF”.
Raízes que permanecem
Mesmo vivendo fora há mais de uma década, Bruno mantém uma forte conexão com Petrópolis. Nascido e criado na Comunidade do Neylor, ele carrega suas origens com orgulho. “Minha família toda mora em Petrópolis. Eu saí de lá aos 28 anos”, diz.
Mais do que isso, ele vê sua trajetória como uma missão. “Quero mostrar para todos que vieram de onde eu vim que, com trabalho duro e dedicação, tudo é possível”.

Fotos: Arquivo Pessoal
O futuro: inspirar novas gerações
Com uma carreira consolidada, Bruno agora olha para o impacto que pode gerar. Entre seus objetivos está levar o jiu-jitsu a mais pessoas e incentivar novos talentos.
“Quero alcançar o máximo de pessoas possível e incentivar as crianças da Comunidade do Neylor para que outros campeões mundiais possam surgir”, afirma.
E a motivação continua a mesma de quando começou: “Seguir competindo até onde meu corpo aguentar, para inspirar as pessoas a lutarem pelos seus sonhos”, finaliza.
Acompanhe os próximos passos de Bruno em @bruninhobbjj
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