Alunos de escola pública de Petrópolis conquistam premiações em projeto apoiado pela UNESCO/ONU
Estudantes do CIEP Cecília Meireles desenvolveram soluções voltadas para refugiados e imigrantes e se destacaram entre escolas públicas e privadas do estado do Rio de Janeiro
Mais uma vez, alunos do CIEP Cecília Meireles, em Petrópolis, ganharam destaque em uma iniciativa de alcance internacional. Desta vez, estudantes da escola estadual conquistaram duas premiações no “Trilhar Maker Labs: Pitch for Peace”, projeto educacional apoiado pelo programa Jovens pela Paz, da UNESCO/ONU, voltado ao empreendedorismo de impacto social, tecnologia e cultura de paz.

Foto: Divulgação
O evento aconteceu no fim de abril, no Centro do Rio, reunindo projetos criados por alunos de escolas públicas e privadas do estado. As propostas foram avaliadas por jurados como o divulgador científico Átila Iamarino, o humorista Hélio de la Peña e especialistas da área de tecnologia e inovação.
Ao todo, o programa selecionou apenas 50 projetos entre mais de 8 mil inscritos no mundo. A iniciativa recebeu financiamento de 10 mil dólares da UNESCO para ser aplicada em cinco escolas públicas, e o CIEP Cecília Meireles foi uma das unidades escolhidas.

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Escola petropolitana foi a única estadual do Rio selecionada
Segundo a professora responsável pelos projetos, Iulie Toman, participar do programa já representava uma grande conquista para a escola.
“A nossa escola ter sido a única escola estadual do Rio de Janeiro a participar do evento já nos deixou em grande alegria. Nossos alunos se dedicaram bastante e o resultado foi um sucesso ”, conta.
Durante cerca de 10 encontros realizados entre fevereiro e abril, os alunos desenvolveram propostas voltadas para desafios sociais reais, especialmente ligados ao acolhimento de refugiados e imigrantes.

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Projetos premiados
O CIEP Cecília Meireles conquistou dois troféus entre as sete categorias temáticas premiadas na competição. O prêmio de “Projeto Mais Inovador” ficou com o Acolhe Brasil, criado pelas alunas Júlia Anastácia do Nascimento e Mariany da Costa Oliveira.
A proposta consiste em uma plataforma de apoio para imigrantes, com foco especial em pessoas com deficiência auditiva. O sistema oferece interface em português, inglês, espanhol e mandarim, além de recursos audiovisuais e acessibilidade em Libras.
“A ideia do Acolhe Brasil nasceu quando percebemos a dificuldade que muitos imigrantes e refugiados têm quando chegam aqui. Eles não entendem o português, não conseguem se comunicar e ficam isolados. E o diferencial de Libras veio porque temos uma integrante do grupo que possui um familiar com deficiência auditiva e vimos que imigrantes surdos sofrem ainda mais com a barreira da comunicação”, explica Mariany.
Júlia complementa: “muitos imigrantes se sentem meio inseguros de vir para o Brasil porque pensam que vão se sentir deslocados , mas o acolhe Brasil foi criado para essa insegurança acabar”.

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Já o prêmio de “Projeto Mais Criativo” foi conquistado pelo Nova Jornada, desenvolvido pelos estudantes Brenda Monteiro Plantz Carvalho, Lucas Ancântara Goulart Souza de Jesus e Lucas da Silva Andrade.
O projeto é um jogo educacional, digital e de tabuleiro, que simula a trajetória de refugiados chegando ao Brasil, incentivando empatia e consciência social.
“A ideia do projeto surgiu quando pensamos em criar uma forma mais interativa de mostrar a realidade dos refugiados. Decidimos fazer um jogo onde as escolhas do jogador geram consequências e mostram os desafios de recomeçar a vida em outro país”, conta Lucas Ancântara.
Para Brenda Monteiro, a experiência trouxe impacto não apenas no projeto, mas também na vida acadêmica dos alunos. “Aprendi muito sobre pensar em equipe e acreditar em nós mesmos. Ver nosso projeto sendo reconhecido foi um sentimento de gratidão enorme”.
Lucas da Silva também destacou o aprendizado adquirido ao longo do processo. “Percebemos o quanto pouco sabíamos sobre os refugiados e como isso afetava nossa forma de pensar sobre eles. Esse projeto estimula muito os alunos a pensarem de formas diferentes e buscarem soluções onde muitos acham que não há”.

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Impacto dentro e fora da sala de aula
Segundo a professora Iulie Toman, iniciativas como o Trilhar Labs ajudam a aproximar os estudantes de problemas reais da sociedade, incentivando protagonismo, criatividade e inovação dentro da escola pública.
“O Trilhar traz para dentro da escola uma metodologia que conecta o mundo real e grandes instituições globais, como a Unesco. Os alunos sendo capazes de desenvolver soluções diante de desafios aumenta a confiabilidade pessoal. O CIEP Cecília Meireles ser um lugar de boas práticas reconhecidas amplia a vivência deles enquanto protagonistas”, destaca.
Além dos troféus conquistados pelo CIEP Cecília Meireles, outros projetos de escolas do estado também foram premiados em categorias como impacto social, tecnologia, viabilidade e apresentação.
Para os alunos petropolitanos, porém, o reconhecimento vai além das medalhas. “Esse projeto mudou totalmente nossa visão da escola. Entendemos que estudar não é só para passar de ano, mas para resolver problemas reais”, resume Mariany.

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