Flores exclusivas de Petrópolis ganham guia ilustrado em museu dos EUA
Publicado pelo The Field Museum, de Chicago, guia exibe plantas da Serra da Maria Comprida, ameaçadas de extinção
Petrópolis abriga uma flora tão rara que algumas espécies só existem em suas montanhas, e agora elas estão ganhando reconhecimento internacional. Um conjunto de plantas endêmicas do Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida, teve imagens publicadas em um guia ilustrado divulgado pelo The Field Museum, um dos mais importantes museus de história natural dos Estados Unidos, sediado em Chicago.

Foto: Felipe Tubarão
A publicação reúne 44 fotografias de 19 espécies vegetais, todas com ocorrência restrita à região e ameaçadas de extinção. O material foi divulgado em dezembro do ano passado no site do museu norte-americano.

Foto: Felipe Tubarão
Espécies mais raras
Entre as espécies catalogadas, algumas se destacam pelo alto grau de raridade e pelo risco iminente de desaparecimento. “As que mais chamam a atenção são Neoregelia longipedicelata, Tillandsia reclinata, Prepusa connata e Worsleya procera“, conta o guarda-parque do Inea, pesquisador e responsável pelas imagens, Felipe Tubarão.
Conhecida popularmente como rabo-de-galo, a Worsleya procera enfrenta uma ameaça ainda mais direta: o extrativismo ilegal. “Ela sofre muita pressão porque é bastante procurada para comercialização no mercado de plantas ornamentais”, alerta Felipe.

Worsleya procera. Foto: Felipe Tubarão
Monitoramento começou há cinco anos
O trabalho de identificação e catalogação das espécies começou há cerca de cinco anos, a partir de um monitoramento detalhado da flora do ambiente montanhoso da unidade de conservação. A iniciativa partiu dos guarda-parques do Inea e pesquisadores Felipe Tubarão e Paulo Cezar Estrella.
Durante esse período, as espécies foram registradas em expedições de campo, passando por processos de fotografia, identificação e catalogação científica.
A organização final das imagens que compõem o guia foi realizada pela voluntária da unidade de conservação, Renata Abreu de Andrade.

Foto: Felipe Tubarão
Reconhecimento internacional
A oportunidade de divulgar o material no The Field Museum surgiu da própria iniciativa dos pesquisadores brasileiros, que já acompanhavam o trabalho desenvolvido pela instituição. “Somos leitores assíduos do site do museu e propusemos a publicação do guia. Após cerca de um ano de avaliação, o museu aprovou a divulgação do estudo brasileiro”.
O reconhecimento é especialmente relevante por se tratar de uma instituição com forte atuação na área da biodiversidade. O Field Museum mantém um vasto herbário e coleções científicas que incluem espécies brasileiras, além de hospedar guias de campo sobre a flora de diferentes partes do planeta.
Agora, Petrópolis passa a integrar esse seleto acervo internacional, com um estudo dedicado exclusivamente à flora endêmica da Serra da Maria Comprida.

Foto: Felipe Tubarão
Petrópolis e sua biodiversidade única
A descoberta e divulgação dessas espécies reforçam o papel de Petrópolis como um importante polo de biodiversidade da Mata Atlântica. Em 2024, a cidade já havia chamado atenção com o registro de micro orquídeas raríssimas, algumas com apenas milímetros de tamanho, encontradas em áreas naturais do município.
Veja também: Milimétricas e raras: micro-orquídeas são avistadas em Petrópolis

Foto: Felipe Tubarão
E em janeiro deste ano, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), que abrange parte de Petrópolis, liderou o ranking das áreas com a flora mais diversa do Brasil, com mais de 3 mil espécies catalogadas.
Veja também: PARNASO lidera ranking da flora mais diversa do Brasil, com mais de 3 mil espécies

Fotos: Arquivos Sou Petrópolis e Guia André Sheik
Sobre o Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida
Criado pela Lei nº 9.756, de julho de 2022, o Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida abrange 7.803 hectares de Mata Atlântica. A unidade de conservação tem como objetivo preservar remanescentes do bioma, fortalecer o corredor ecológico no estado do Rio de Janeiro e garantir a estabilidade de encostas, reduzindo riscos de deslizamentos e assoreamento de rios.

Foto: Felipe Tubarão
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