Surpreso com foto inédita dos avós falecidos, petropolitano tatua momento emocionante
No Instagram, Pedro Godoy encontrou uma foto que nunca havia visto de seus avós, Delgy e Rachel Portes, caminhando abraçados pelas ruas de Petrópolis quando ainda estavam vivos
Imagine estar rolando o feed do Instagram e ser surpreendido com uma foto dos seus avós que você nunca viu antes. Nela, eles compartilham um momento de companheirismo, caminhando pelas ruas da cidade quando ainda eram vivos. Emocionado pelo registro, que representa tão bem o carinho que seus avós tinham entre si e com os outros, você então decide marcar a imagem para sempre na pele. Isso é o que aconteceu com o petropolitano Pedro Godoy na última semana.
Fotos: @fuipra_rua e Arquivo Pessoal
O jovem encontrou a foto em 2024, em uma notícia compartilhada no Instagram da Sou Petrópolis (@soupetropolis). O registro, feito pelo fotógrafo Henry Kappaun (@fuipra_rua), mostra seus avós Delgy e Rachel Portes, caminhando de braços dados pelo Centro Histórico.
“Durante muito tempo eles moraram na Floriano Peixoto, que é ali no final da Avenida. Então eles faziam esse trajeto diariamente, passeando sempre juntos. Iam até a Praça Dom Pedro e depois ao Museu Imperial, onde sentavam pra descansar um pouco antes de voltar pra casa. Quando vimos a foto na Sou, foi uma emoção e uma alegria tão grande pra toda a família, por ser um momento tão marcante e que representa tão bem quem eles eram e a união dos dois”, comenta o neto do casal.
Fotos: Arquivo Pessoal
Momentos de emoção
Rachel faleceu em 2022 e Delgy pouco depois, em 2023. Eles eram casados há quase 70 anos, e o fruto desse amor veio em forma de uma grande família, com cinco filhos, nove netos e onze bisnetos. Todos relembram com carinho dos patriarcas, que, inclusive, também foram homenageados com outras artes, como impressos e azulejos.
“Meus avós eram muito carinhosos e apegados à família, se eles vissem a tatuagem, ficariam muito emocionados. Eles viviam juntos, pareciam um casal de namorados no início da relação, então essa foto simboliza tudo muito bem. Logo que fiz a tatuagem, fui pra casa mostrar pra minha mãe e ela chorou, emocionada. Recebi mensagens das minhas tias e primos, todos muito felizes. Foi um momento muito especial”, relata.
Fotos: Arquivo Pessoal
O poder das coincidências
A responsável por eternizar este momento tão lindo na pele de Pedro foi a tatuadora Laura Flores (@flosartem). Apaixonada por arte desde criança, a petropolitana começou a tatuar profissionalmente neste ano, e se fascinou imediatamente pelo trabalho e pelas histórias por trás de cada tatuagem.
“Minha primeira cliente escolheu justamente uma arte para homenagear a mãe dela e muitos outros escolhem uma arte pelo seu peso emocional, assim como foi com o Pedro, mas dessa vez, com várias coincidências pra que tudo acontecesse. O trabalho do Henry é incrível e aquela foto já é muito linda por si só, mas quando descobri que era uma recordação tão importante para o Pedro, me apaixonei ainda mais por ela e começamos a conversar sobre transformá-la em uma tatuagem. Adorei participar desse momento”, comenta.
Depois dessa, Laura se diz ainda mais entusiasmada para as próximas histórias que podem surgir em seu estúdio. A petropolitana define a tatuagem como uma forma de arte extremamente importante, não só pelo aspecto decorativo dos corpos, mas por todos os significados que ela traz.
“As vezes mesmo que sem querer, uma tatuagem escolhida por um interesse estético pode ganhar um significado por meio do dia em que você a marcou, pela conversa que teve com o tatuador, pela companhia de alguém que foi com você ao estúdio te acompanhar… É um mundo cheio de possibilidades, que eu quero mergulhar de cabeça”, declara.
Fotos: Arquivo Pessoal
A arte como forma de eternizar história
O artista por trás do registro é o fotógrafo Henry Kappaun, que reúne em seu Instagram @fuipra_rua, fotos cotidianas de pessoas nas ruas de Petrópolis e das outras cidades pelas quais ele já passou.
“Meu intuito é mostrar cenas, não só inusitadas, mas sobretudo as usuais, que passariam despercebidas na correria do dia a dia, mas que carregam grandes significados. Gosto de pensar qual a história de cada uma das pessoas que eu já fotografei”, reflete.
A foto foi tirada no dia 29 de maio de 2019, por volta das 10h30. “Lembro até hoje. Estava andando pela cidade e vi esse casal lindo passar por mim, só deu tempo de tirar a câmera da mochila, me virar e bater uma foto, que saiu assim. É uma das minhas fotos de casais favoritas pelo jeito que eles estavam andando juntinhos de braços dados e super felizes. Sempre me chama atenção casais que parecem estar juntos há muito tempo. Na época eu estava meio desacreditado das relações duradouras, então essa cena foi meio que uma meta que eu queria alcançar, e ainda quero. Hoje, seis anos depois e casado, acho que estou no caminho certo”, brinca.
Na última semana, o petropolitano foi surpreendido por uma mensagem de Laura, perguntando se o registro era dele e contando sobre a tatuagem. “Achei incrível, fiquei muito feliz e realizado como fotógrafo. É daquelas coisas que faz a gente sentir que está no caminho certo. Espero que muitas pessoas ainda se reconheçam ou encontrem familiares no fui pra rua. E que sirva como uma forma de eternizar os momentos”, deseja.
Fotos: reprodução instagram @fuipra_rua
O papel de contar e criar histórias
Luísa Abreu, uma das idealizadoras da Sou Petrópolis, conta que sempre que histórias como essa chegam até a equipe, a sensação é de muita alegria e satisfação. “Mesmo que indiretamente, fazer parte de um momento como esse, é o que dá sentido ao trabalho. É muito gratificante ver como a comunicação tem um poder transformador”, afirma.
Para além de contar histórias, a comunicação também tem o poder de ajudar a criar e mudar o rumo das narrativas. E essa não é a primeira vez que a Sou participa de uma história bonita como a do Pedro.
“Através da repercussão de matérias publicadas aqui no nosso site, já recebemos relatos incríveis. Já teve uma tutora falando que teve o seu cachorro encontrado depois de dias perdido, já teve gente recebendo proposta de emprego depois de contarmos a sua história, cachorros sendo adotados em feirinha de adoção que divulgamos e diversos negócios locais que estavam em crise, perto de fechar as portas, mas se reergueram após serem divulgados aqui na página. Saber disso não tem preço”, finaliza.
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