Psicólogas de Petrópolis explicam como os dias chuvosos interferem no humor e na saúde mental
Manter a rotina, realizar atividades físicas e prazerosas são algumas ações que podem ajudar a vencer o desânimo causado por este tempo
Durante os últimos dias, os petropolitanos têm enfrentado paisagens cinzas e chuvosas. Esse tempo deixa as pessoas mais reclusas e, em alguns casos, causa quadros de desânimo. A Sou conversou com as psicólogas Larissa Decoló e Taísa Chehab para entender como o clima interfere no humor e na saúde mental, e o que pode ser feito para driblar esses efeitos.
Segundo Larissa, com o passar desse período é comum se sentir um pouco mais desanimado, recolhido, indisposto e sonolento do que o habitual. “Isso acontece por conta da resposta do nosso cérebro à diminuição da luz, que está diretamente ligada à produção de hormônios como a serotonina, dopamina, endorfina e alguns neurotransmissores que controlam o nosso sono”, explica.
Foto: Arquivo Sou Petrópolis
Por isso, é possível afirmar que o clima interfere no humor das pessoas, porém, não é determinante, visto que os seres humanos são afetados por uma série de outros fatores, acontecimentos e contextos do dia a dia que influenciam o seu temperamento.
Importância do sol
Taísa acrescenta que o corpo humano é afetado diretamente pelo ambiente e as relações criando sensações, emoções e percepções a partir disso. De acordo com a profissional, algumas pessoas têm baixa tolerância em conviver com o frio e chuva constantes, o que pode despertar tédio, cansaço, preguiça e falta de energia, enquanto outras conseguem aproveitar um ciclo de introspecção e acolhimento.
“Mas o fato é que precisamos de sol. A vida é movida e nutrida também pelas esferas de calor. É o convite da natureza para sairmos de casa, passearmos, aproveitarmos as belas cachoeiras ou fazer uma trilha. Tudo isso regula emocionalmente e é extremamente importante para a nossa saúde mental”, comenta.
Foto: @fuipra_rua
Impactos da tragédia
Para Taísa, é importante aprender a lidar com essas diferentes condições. “A chuva nos convida a ler um bom livro, ver um filme, encontrar amigos em um ambiente mais acolhedor e exercitar a paciência para aguardar a chegada do sol”.
A psicóloga alerta, porém, que é importante levar em conta a tragédia pela qual Petrópolis passou, quando muitas pessoas ficaram sem moradia ou perderam entes queridos. “Todos nós fomos afetados por essa situação. E é claro que, para muitas pessoas, a relação com a chuva desperta ansiedade, medo ou desespero. A chuva pode se tornar um grande gatilho para despertar crises e fobias e é importante realizar um procedimento teraupêutico psicológico”, orienta.
Foto: @maridcrocha
O que fazer?
Larissa complementa com a recomendação de que, para evitar que estes sentimentos atrapalhem o dia a dia, é muito importante manter a rotina, colocar-se em movimento, realizar atividades físicas e tarefas que sejam prazerosas.
“Essas mudanças de humor, isoladamente, não devem ser consideradas um indicativo de questões psicológicas. Mas caso esses sentimentos estejam recorrentes e maiores que o habitual, é importante procurar um profissional de saúde mental”, finaliza.
As psicólogas podem ser encontradas nos perfis do Instagram @psi.larissadecolo e @taisachehab.psi.
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