Você sabia que o Rock The Mountain tem um palco dedicado a artistas de Petrópolis e da cena independente
Coreto reúne músicos da cidade e de outras regiões em meio à programação de um dos maiores festivais de música do país; artistas locais contam como a oportunidade tem impactado suas trajetórias
Quem vai ao Rock The Mountain, em Itaipava, encontra muito mais do que os grandes shows que movimentam os palcos principais. Entre as atrações do festival, um espaço vem chamando a atenção por valorizar a música independente e abrir portas para artistas de Petrópolis: o Coreto.

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação
Criado em 2022, o projeto chega à sua sexta edição em 2026, reunindo 18 atrações musicais. Deste total, oito são de Petrópolis, enquanto os demais nomes representam artistas da cena independente nacional e projetos da noite alternativa carioca.
O Coreto funciona como uma vitrine para músicos que encontram no festival a oportunidade de mostrar seus trabalhos para um público de diferentes partes do Brasil. Nesta edição, artistas como Manu Terra, Apollo Lucas, Seven Teas e a banda Tokaia fazem parte da programação e compartilham a experiência de subir ao palco.
Manu Terra conquista espaço na música dentro e fora da Internet
Entre os nomes petropolitanos está Manu Terra, que começou sua trajetória musical ainda na infância, aos seis anos, quando decidiu que queria ser cantora. Além das aulas de canto, estudou piano, teoria musical e aprendeu a tocar ukulele. Aos 14 anos, escreveu sua primeira composição.
Com influências da MPB, do pop e do indie, a artista encontrou na internet uma maneira de divulgar seu trabalho e conquistar novos públicos. Em 2024, começou a publicar vídeos nas redes sociais e, desde então, conseguiu ampliar seu alcance e transformar a música em profissão. No Instagram @eumanuterra ela acumula mais de 700 mil seguidores.

Fotos: Arquivo Pessoal
“Foi graças à internet que consegui alcançar o público que tenho hoje, conquistar oportunidades e, principalmente, viver de música. É um sonho que se tornou realidade e pelo qual sou muito grata”, conta.
Atualmente, Manu também trabalha na produção de suas músicas autorais, que estão sendo gravadas para futuros lançamentos. Para ela, receber o convite para participar do festival foi uma surpresa.
“Eu recebi um e-mail e, inicialmente, achei que eles queriam marcar uma reunião para fazer uma entrevista comigo e, depois, avaliar se eu seria selecionada ou não. Mas, na verdade, a própria reunião já era um convite para me apresentar! Fiquei muito, muito feliz”, relembra.
A primeira apresentação aconteceu no sábado, 31 de outubro, e foi marcada pela receptividade do público. A cantora destaca a troca com as pessoas que param para acompanhar o show, dançam e cantam junto.
“Acho que tocar em um festival é diferente justamente porque as pessoas estão muito interessadas em te ouvir. Elas param, prestam atenção no show, dançam e cantam com você. É uma troca muito gostosa!”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal
Do rap underground aos grandes palcos: Apollo Lucas representa a cena petropolitana
Outro representante da cidade é Apollo Lucas, que constrói sua identidade no rap underground, com letras densas, referências e um estilo próprio de interpretação.
O artista ganhou projeção nacional após participar do RapBox Chama, competição que selecionou cinco nomes entre milhares de inscritos de todo o Brasil para integrar uma cypher no canal RapBox, que conta com mais de dois milhões de inscritos. Os projetos realizados a partir da participação ultrapassaram, juntos, a marca de um milhão de visualizações.

Fotos: Arquivo Pessoal
A conquista também aproximou Apollo de nomes conhecidos do rap nacional, como Xamã, FBC, Coruja BC1, MC Marechal e Choice, com quem possui uma colaboração musical. Para ele, a experiência no Coreto foi marcante não apenas pela dimensão do festival, mas pelo reconhecimento do próprio trabalho.
“Foi incrível. Na verdade, foi mágico. Não apenas por fazer parte de um dos maiores eventos do Brasil, mas, principalmente, por me sentir reconhecido como artista. Por perceber que as coisas são possíveis e que os sonhos, quando acreditamos neles, podem se tornar realidade”, destaca.
O rapper também conta que a apresentação proporcionou o contato com pessoas que ainda não conheciam sua música e que demonstraram interesse por sua identidade artística.
“Às vezes, tudo o que precisamos é de uma oportunidade para mostrar ao mundo aquilo que carregamos dentro de nós. E o Coreto representa exatamente isso: a oportunidade de transformar talento em visibilidade e sonhos em realidade”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal
Seven Teas: irmãos levam música autoral ao festival
Formada há mais de cinco anos pelos irmãos Daniel e Leonardo Mello, a Seven Teas também representa Petrópolis na programação do Coreto. A dupla lançou, neste ano, o disco Morning Songs, distribuído pela Virgin Music Group, com oito faixas totalmente autorais, compostas pelos próprios integrantes.
Com agenciamento de Sabrina Kozlowscky, os músicos vêm divulgando o trabalho em apresentações por diferentes cidades, passando por espaços como o Teatro Domingos Oliveira, no Planetário, no Rio de Janeiro; o Estúdio Central, em Belo Horizonte; o Sobrado, em Petrópolis; e o Maquinaria, em Juiz de Fora.
“Se apresentar no Coreto do Rock The Mountain foi a melhor experiência que tivemos na nossa carreira até agora, porque tivemos a oportunidade de mostrar nossa música para uma quantidade imensa de pessoas e recebemos uma resposta muito positiva do público”, conta Daniel.

Foto: Arquivo Pessoal
Leonardo também destaca a interação com as pessoas durante o show e a expectativa para a segunda apresentação, que contará com um elemento especial: a participação dos músicos de metais, que não conseguiram estar presentes no primeiro fim de semana por um conflito de agenda.
“Foi o show em que o público mais interagiu com a gente. Foi uma experiência singular. Estamos muito otimistas em relação ao que será esse segundo fim de semana do Rock The Mountain”, afirma.
Os irmãos também ressaltam a importância de o festival abrir espaço para artistas independentes da cidade, especialmente diante dos desafios de conseguir oportunidades no cenário cultural local.
“O Coreto é essencial, especialmente porque o Rock The Mountain é um festival que acontece em Petrópolis, uma cidade onde não há muito investimento em cultura em relação aos artistas independentes. Então, ter a oportunidade de fazer um show promovendo a nossa música foi algo muito singular para a gente”, destacam.

Fotos: Arquivo Pessoal
Tokaia celebra mais de 20 anos de trajetória
Com mais de duas décadas de história, a banda Tokaia também representa Petrópolis na programação. Fundada pelo baterista Ussiles Nascimento, conhecido como Urso, o grupo aposta em um repertório pop, com músicas autorais e releituras de clássicos que ganham uma identidade própria.
Ao longo da trajetória, a banda passou por diferentes formações e chegou a levar seu trabalho para a Europa, com apresentações na Espanha e em Portugal. No país, conquistou espaço em casas de shows e teve músicas divulgadas pela Rádio Festival, do Porto.

Fotos: Arquivo Pessoal
Entre os momentos marcantes da carreira, Ussiles destaca ainda a participação nas audições do programa “Superstar”, da TV Globo, além de apresentações em eventos e festas de personalidades como Deborah Secco e Luciano Huck.
O convite para integrar o Coreto foi recebido com surpresa e muita emoção. “Ainda estamos em êxtase! Sabe aquele momento que você acha que é uma pegadinha? Então, foi mais ou menos assim”, conta Ussiles, que também elogia a organização e o cuidado da equipe do festival com os artistas.
A primeira apresentação aconteceu no domingo, 1º de novembro, e, mesmo dividindo a atenção do público com o show de Ivete Sangalo em um palco próximo, a banda considera que teve uma ótima recepção.
“Nosso primeiro dia de RTM, no Coreto, foi incrível. Montei uma equipe de peso, que não deixou faltar nada, desde a montagem, checklist e apresentação. Mesmo tendo nossa querida Ivete Sangalo ao lado quebrando tudo, não deixamos a peteca cair. O público compareceu com força na nossa apresentação, foi linda”, relata.
Para o segundo fim de semana, a expectativa é repetir a experiência, desta vez com uma formação que reúne os vocalistas Walter Delanno e Rick Azevedo. Rick trabalha com o cantor Jorge Vercillo e também já participou do programa The Voice Brasil.

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação
Vitrine para novos talentos e oportunidades
Para os artistas, a importância do Coreto vai além da oportunidade de realizar um show em um festival de grande porte. O espaço também representa visibilidade, valorização profissional e a possibilidade de estabelecer conexões com pessoas do mercado musical.
Manu Terra destaca que conquistar espaço na indústria da música pode ser ainda mais desafiador para quem vive fora dos grandes centros. “Quem vive em uma cidade do interior sabe como pode ser desafiador conquistar espaço e visibilidade no meio artístico. Por isso, ter uma oportunidade de apresentar seu trabalho para um público tão grande, que vem de diferentes partes do Brasil, é muito significativo”, avalia.
A cantora também ressalta o aprendizado proporcionado pela estrutura profissional do evento e a possibilidade de construir um portfólio importante para a carreira.

Fotos: @victor_carvasv
Apollo Lucas compartilha dessa percepção e conta que, depois da primeira apresentação, recebeu mensagens e convites que demonstram o alcance da oportunidade. “É um espaço que dá visibilidade a novos talentos e apresenta ao público artistas que, muitas vezes, ainda são desconhecidos, mas carregam um potencial enorme. Talvez eu seja um desses artistas”, comenta.
A experiência também permitiu que a Seven Teas dividisse o mesmo ambiente com artistas nacionais e internacionais que admira. Os irmãos citam apresentações de nomes como Los Mirlos, Jorja Smith, Marcos Valle e Paulinho da Viola como alguns dos destaques do festival. Para eles, fazer parte dessa programação reforça o significado da oportunidade de apresentar a própria música em um evento dessa dimensão.
Já para Ussiles, o festival representa uma oportunidade de apresentar o trabalho da banda a novos públicos e conquistar pessoas que ainda não conheciam sua música. “O Rock The Mountain é uma vitrine VIP, onde temos o prazer de mostrar o nosso trabalho para o mundo e, com isso, conquistar novos apreciadores e adeptos ao nosso trabalho”, afirma.
Ao reunir artistas de diferentes estilos e trajetórias, o Coreto reforça a importância de iniciativas que valorizam a produção musical independente. Para os músicos de Petrópolis, ter um espaço como esse dentro de um festival que nasceu na cidade também representa o reconhecimento dos talentos que fazem parte da cena cultural local.
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