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Inverno começa com influência do El Niño e Petrópolis deve ter temperaturas acima da média

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Inverno começa com influência do El Niño e Petrópolis deve ter temperaturas acima da média

Fenômeno já está oficialmente configurado e seus efeitos devem ser sentidos de forma gradual; impactos mais significativos são esperados entre a primavera e o verão

O inverno começou neste domingo (21) sob a influência do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que pode alterar os padrões de temperatura e chuva em diversas regiões, incluindo Petrópolis.

Foto: Sou Petrópolis

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o El Niño já foi oficialmente reconhecido no último dia 11 de junho, conforme boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Apesar disso, os efeitos não acontecem de forma imediata.

“O fenômeno já começa a se estabelecer agora no inverno, mas seu impacto mais estruturado ocorre mais adiante, porque a atmosfera leva semanas ou meses para responder ao aquecimento do oceano”, explica. De acordo com a especialista, a previsão é que o fenômeno permaneça ativo até o verão de 2026/2027.

Inverno menos rigoroso

Para quem mora em Petrópolis e na Região Serrana, os primeiros sinais do El Niño devem aparecer justamente nas temperaturas. Os mapas de previsão climática do CPTEC/Inpe para o trimestre de julho, agosto e setembro indicam temperaturas entre 0,5°C e 1°C acima da média histórica na região.

“Isso indica um inverno menos rigoroso, com madrugadas menos frias e menor frequência de incursões de massas de ar frio intensas. Esse comportamento é típico do início dos episódios de El Niño, quando o principal sinal percebido no Brasil é o aumento das temperaturas médias”, destaca Andrea.

A previsão da Defesa Civil Municipal segue a mesma linha. Segundo a meteorologista do órgão, Rafaela Felipe, os modelos meteorológicos apontam para um inverno mais ameno.

“A previsão é de um inverno menos rigoroso e os modelos meteorológicos também apontam para acumulados pluviométricos em torno da média histórica durante o inverno. O inverno também é um período com ocorrência de nevoeiro, o famoso ruço, durante a madrugada e no início da manhã”, afirmou.

Foto: Arquivos Sou Petrópolis

E a chuva?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a influência do El Niño sobre as chuvas na Região Sudeste nem sempre é imediata ou uniforme. Segundo Andrea Ramos, os mapas climáticos indicam que a Região Serrana deve registrar volumes de chuva próximos da média histórica durante o inverno, sem um sinal forte de excesso ou falta de precipitação.

“O mapa probabilístico mostra predominância de áreas em branco, o que significa chuvas dentro da média. Para Petrópolis, isso indica um inverno relativamente dentro da normalidade ou levemente mais seco, sem um padrão claro de anomalia extrema”, explica.

A meteorologista ressalta, porém, que isso não impede a ocorrência de episódios isolados de chuva forte provocados pela passagem de frentes frias.
Atenção maior a partir da primavera

Embora o inverno deva transcorrer sem grandes alterações nos volumes de chuva, os especialistas alertam que o cenário muda ao longo dos próximos meses. Segundo Andrea Ramos, é na primavera que a influência do El Niño costuma se tornar mais evidente no Sudeste brasileiro.

“O efeito do El Niño tende a se intensificar a partir da primavera, quando há maior acoplamento entre oceano e atmosfera. Nesse período, aumentam as condições favoráveis à formação de sistemas como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), além de maior disponibilidade de umidade e energia na atmosfera”, afirma.

Para Petrópolis, cidade marcada por um histórico de desastres provocados por chuvas intensas, o monitoramento deve ganhar ainda mais importância.

“Historicamente, anos de El Niño podem favorecer a ocorrência de eventos de chuva mais organizados e persistentes no Sudeste durante o verão. Em áreas de relevo acidentado, como a Serra Fluminense, isso se traduz em maior risco de acumulados elevados”, alerta a especialista.

Segundo ela, o principal risco não está necessariamente na quantidade de dias chuvosos, mas na possibilidade de episódios concentrados e prolongados de precipitação.

“O inverno deve apresentar impacto principalmente nas temperaturas acima da média, mas o cenário evolui para um aumento gradual do risco hidrometeorológico a partir da primavera. Para Petrópolis, o período de maior atenção deve começar durante a primavera e o verão”, destaca.

Foto: Arquivo Marianny Mesquita /Chuvas registradas em Petrópolis ano de 2021

O que diz a Prefeitura

Questionada pela equipe da Sou Petrópolis sobre as medidas preventivas adotadas diante das previsões para o El Niño e sobre o nível de preparação da cidade para enfrentar possíveis eventos extremos, a Prefeitura informou que as ações voltadas para chuvas intensas já estão previstas no Plano de Contingência para Chuvas Intensas Verão 2025/2026, que segue vigente.

A administração municipal também informou que a Defesa Civil está finalizando o Plano de Contingência para o Inverno 2026, que será lançado na próxima segunda-feira (22). O documento reúne ações de prevenção, preparação e resposta para situações típicas da estação, como estiagem e incêndios em vegetação.

Foto: Divulgação PMP

Enquanto isso, os especialistas reforçam que o momento é de acompanhar a evolução do fenômeno nos próximos meses. O consenso técnico, segundo Andrea Ramos, é que os primeiros sinais já devem ser sentidos neste inverno, principalmente no campo das temperaturas, mas que os impactos mais relevantes tendem a se consolidar entre a primavera e o verão.

“Para uma cidade como Petrópolis, isso implica um inverno de transição, seguido por uma estação chuvosa que pode exigir monitoramento contínuo tanto dos órgãos responsáveis quanto da população”, conclui.

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