Conheça Yanná Duqueis, mãe do “Memeu”, bebê petropolitano que conquistou a internet
Com mais de 90 mil seguidores no Instagram e quase 300 mil no TikTok, família compartilha a rotina do pequeno Romeu, de 1 ano, que nasceu com cardiopatia e síndrome de down
Você muito provavelmente já viu algum vídeo do “Memeu”, um bebê petropolitano que vem conquistando a internet com gargalhadas, carinhas engraçadas, amor por manga e vídeos cheios de afeto. Mas você sabe quem é a mãe por trás dessa criança tão adorável?

Fotos: Arquivo Pessoal
Neste Dia das Mães, conversamos com a mãe do Romeu, Yanná Duqueis, que abriu o coração sobre o diagnóstico do filho, os momentos mais difíceis que viveu, a transformação causada pela maternidade e o carinho inesperado que encontrou na internet.
Conhecido carinhosamente como “Memeu” pelos seguidores, o pequeno Romeu, de apenas 1 ano, já soma mais de 90 mil seguidores no Instagram e quase 300 mil no TikTok. Mas por trás dos vídeos leves e encantadores que viralizam diariamente, existe também uma história marcada por medo, fé, transformação, desafios e um amor que redefiniu completamente a vida de uma família.
Romeu nasceu com Síndrome de Down e cardiopatia. Desde então, Yanná passou a compartilhar nas redes sociais a rotina da maternidade atípica, e acabou encontrando uma comunidade inteira de pessoas que se emocionam, aprendem e acompanham cada conquista do menino.

Fotos: Arquivo Pessoal
“No momento em que colocaram o Romeu nos meus braços, ele já era só meu filho”
Yanná conta que o diagnóstico da cardiopatia veio durante a reta final da gestação e levantou a possibilidade da síndrome. Mas os exames não indicaram alterações e a confirmação veio apenas na hora do parto. Apesar do susto, ela lembra que o primeiro sentimento foi, acima de tudo, amor.
“No momento em que colocaram o Romeu nos meus braços e me falaram que ele tinha traços da síndrome de Down, o meu primeiro sentimento foi muito simples: ele era meu filho. Eu já amava ele profundamente naquele instante e aquilo não mudou absolutamente nada no amor que eu estava sentindo”.
Ainda assim, depois que a ficha caiu, o desconhecimento sobre a condição trouxe inseguranças sobre o futuro, preconceito e aceitação. “Hoje eu olho para trás e vejo que muitos desses medos eram frutos da falta de informação e do desconhecido. Romeu chegou sendo amado por todo mundo desde o primeiro instante”, relata.

Fotos: Arquivo Pessoal
UTI, cirurgia cardíaca e os dias mais difíceis da vida
Os desafios começaram logo após o parto. No dia seguinte ao nascimento, Romeu precisou ser internado na UTI por conta de um desconforto respiratório e permaneceu hospitalizado por 16 dias.
“Muitas vezes, quando me perguntam como eu lidei com o diagnóstico da síndrome de Down, eu digo que eu nem tive muito tempo para processar aquilo, porque a minha preocupação imediatamente passou a ser outra: eu só precisava que meu filho ficasse bem”.
Pouco tempo depois, veio outro momento delicado: a cirurgia cardíaca para correção da cardiopatia. “Acredito que o momento mais difícil de todos foi quando ele precisou operar o coração, uma cirurgia de peito aberto. Imaginar meu filho em um centro cirúrgico passando por uma cirurgia tão delicada. Naquele momento eu só conseguia rezar”, relembra.

Fotos: Arquivo Pessoal
“Na maternidade atípica, a gente aprende a comemorar tudo”
Ao falar sobre as conquistas do filho, Yanná se emociona ao explicar que aprendeu a enxergar valor em pequenos momentos que, para muitas famílias, poderiam passar despercebidos. “Eu acho que a maternidade atípica me ensinou muito a valorizar o processo, não apenas os grandes marcos”, declara.
Ela conta que celebra cada evolução do bebê: quando ele segura um garfo, entende a função de um brinquedo, imita alguém ou consegue realizar exercícios da fisioterapia. “Para muitas pessoas talvez pareçam coisas simples, mas para nós, pais atípicos, cada pequena evolução tem um significado enorme”.

Fotos: Arquivo Pessoal
Uma rotina intensa, mas cheia de leveza
Entre consultas, terapias, estímulos e cuidados médicos, Yanná faz questão de preservar a infância do filho da forma mais leve possível. “A rotina dele é muito sobrecarregada de tantos estímulos e exercícios. Então tento ao máximo, quando a gente está em casa, fazer coisas prazerosas pra ele”.
Música, passeios pelo condomínio para ver os cachorros, interação com crianças e momentos simples fazem parte do dia a dia do pequeno. “Ele é uma criança, precisa ter uma rotina de criança e eu não posso esquecer disso. Quero que ele cresça tendo memórias muito boas da infância”, ressalta.

Fotos: Arquivo Pessoal
A mulher por trás da influenciadora
Antes da maternidade, Yanná trabalhava com moda e publicidade em sua própria empresa, voltada para marketing de moda, com uma sócia, em uma rotina intensa de trabalho. Mas, com a chegada do Romeu, tudo mudou. “Chegou um momento em que eu precisei me ausentar e decidi, junto com meu marido, Otávio, que eu deveria parar de trabalhar pra cuidar do Romeu, já que ele precisa de um suporte maior”.
Mas a transformação foi muito além da rotina profissional. “O Romeu me transformou completamente como mulher e como mãe. Em um ano, eu me tornei outra pessoa. Eu trabalhava num universo onde a estética, a imagem e a perfeição tinham muito peso. E tudo isso perdeu completamente o sentido quando me deparei com um filho que foge do padrão. Hoje, tenho mais interesse pelas pessoas, as histórias e as diferenças. O Romeu me ensinou a olhar a vida com mais verdade e mais amor”, compartilha.

Fotos: Arquivo Pessoal
A força da família e da “vovó do Memeu”
Yanná também faz questão de destacar a importância do papel paterno e da rede de apoio de sua família durante todo o processo. “Eu sempre falo que o pai não é uma rede de apoio. As funções que eu tenho como mãe, ele também tem como pai. O Otávio participa ativamente da rotina do Romeu, ficando com ele enquanto eu faço a comida, preparando o banho, separando as medicações e tudo mais. A vivência de nós três é ótima”, pontua.
Mas é impossível falar da história da família sem mencionar a avó de Romeu, chamada carinhosamente pelos seguidores de “vovó do Memeu”. “Nossa família nos ajudou em todos os processos, principalmente no início, quando passamos por muita dificuldade financeira. Mas se eu posso enaltecer alguém é a minha mãe, que é nosso terceiro braço e tem uma relação maravilhosa com o Romeu. O melhor suporte que a gente pode ter é o da nossa mãe”.

Fotos: Arquivo Pessoal
Rede de amor
A produção de conteúdo começou quase sem planejamento. Yanná conta que passou a gravar vídeos para ocupar a mente depois de interromper a carreira. “Eu estava me sentindo ‘inútil’, apesar de cuidar dele o dia inteiro”.
Com o tempo, ela percebeu que muitas pessoas tinham curiosidade sobre a maternidade atípica e a Síndrome de Down, e os vídeos começaram a ganhar alcance. Os primeiros conteúdos que viralizaram foram justamente os mais emocionais: um falando sobre a reação do marido ao diagnóstico do filho e outro mostrando a introdução alimentar do Romeu, que foi quando a família e os seguidores descobriram o amor de Romeu por manga.
“Ele ficou conhecido na internet como o comilão de manga. Tem várias piadas internas entre os seguidores, dizendo que vão sequestrar ele com armadilhas de manga e etc”, brinca.
Apesar do receio inicial sobre preconceito e comentários maldosos, a mãe afirma que encontrou acolhimento nas redes sociais. “Eu fico muito feliz de ver o quanto o Romeu é amado. Ver que ele já tem até o fã clube dele, os ‘Memeu Lovers’, é algo que eu jamais imaginei viver e que me emociona de verdade porque eu tinha muito medo dos haters. E o que eu recebi foi exatamente o oposto disso. Foi amor. Eu até brinco que ele tem vários titios e titias à distância, porque o carinho das pessoas é muito real”, conta.

Fotos: Arquivo Pessoal
Um mundo de possibilidades
Ao compartilhar a rotina do pequeno Romeu, Yanná acabou criando uma rede de apoio para outras famílias atípicas. Segundo ela, as mensagens que recebe diariamente mostram o quanto a identificação entre mães e pais faz diferença. “Existe uma uma compreensão que só quem vive entende”.
Ela conta que conversar com outras mães atípicas foi essencial para que se sentisse acolhida após o diagnóstico do filho e, por isso, incentiva outras mulheres a buscarem histórias parecidas com as delas. “Quando a gente encontra pessoas que entendem exatamente o que estamos sentindo, a dor fica mais leve, os medos diminuem e a gente percebe que não está sozinha”, afirma.
Para Yanná, o mais importante é entender que o diagnóstico não define uma criança. “Antes de qualquer coisa, ele continua sendo um bebê cheio de amor, personalidade e possibilidades de vida”. E é justamente essa visão que ela tenta transmitir diariamente nas redes sociais.
“A sociedade ainda olha para famílias atípicas com muito peso, como se fossem famílias tristes, como se existisse apenas sofrimento ali. E a verdade é que existe um mundo inteiro dentro da maternidade atípica. Um mundo de descobertas, de amor, de força, de aprendizado e de beleza também”, finaliza.
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