Psicólogas petropolitanas criam grupo gratuito no WhatsApp para apoiar mães de criança com autismo
‘Casinha Terapêutica’ oferece orientação prática, acolhimento emocional e conteúdos baseados em ciência para famílias que não conseguem manter terapias frequentes
Nem sempre o diagnóstico vem acompanhado de suporte. Para muitas famílias — especialmente mães — receber a notícia de que o filho tem autismo ou apresenta atraso no desenvolvimento significa lidar com insegurança, dúvidas e, muitas vezes, com a impossibilidade de manter terapias contínuas por questões financeiras. Foi a partir dessa realidade que a psicóloga Karolayne Medeiros e a fonoaudióloga Carina Nunes criaram a “Casinha Terapêutica”, um grupo gratuito no WhatsApp com o objetivo de levar informação, acolhimento e atividades práticas para dentro das casas.

Foto: divulgação
Profissionais que conhecem a rotina além da teoria
As profissionais atuam há mais de cinco anos com crianças com autismo, tanto em clínicas quanto em escolas e atendimentos domiciliares. A experiência diária com famílias foi essencial para moldar o formato do grupo.
Karolayne é psicóloga, especialista em Análise do Comportamento e trabalha com a abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Além disso, atua com orientação parental e formação de Acompanhantes Terapêuticos.
“Percebemos que muitas mães buscavam orientação e apoio, mas não tinham acesso frequente aos atendimentos. Então pensamos: como podemos ajudar de forma real, acessível e segura?”, conta Karolayne.
Carina é fonoaudióloga com foco em desenvolvimento infantil e inclusão escolar. Atua diretamente com crianças e adolescentes em clínicas e instituições de ensino.
“Tudo o que compartilhamos no grupo vem da prática real. Não é teoria distante, é o que funciona no dia a dia”, explica Carina.
Conteúdo simples, possível e baseado em ciência
O grupo funciona de forma silenciosa: apenas as profissionais publicam. Ao longo da semana, são enviados vídeos curtos, áudios, textos e atividades práticas voltadas para linguagem, comportamento, rotina e vínculo.
“São propostas que cabem na rotina de casa, com materiais simples e foco no vínculo entre responsável e criança”, diz Karolayne.
A participação é gratuita e feita pelo link. Não há vendas nem ofertas de serviços.
“Nosso compromisso é com a informação segura. Por isso, apenas nós duas postamos”, reforça Carina.

Foto: divulgação
Muito além da técnica: acolher quem cuida
Para as profissionais, um dos maiores vazios no apoio às famílias está no pós-diagnóstico, pois muitos pais saem do consultório cheios de dúvidas, medo e sem um direcionamento claro, além da falta acolhimento, escuta e uma rede de apoio. O grupo, segundo elas, não substitui a terapia, mas ajuda a reduzir a sensação de solidão e a fortalecer emocionalmente quem cuida.
“Queremos fortalecer lares. Que as mães se sintam menos sozinhas, mais seguras e mais confiantes no próprio papel”, completa Carina.
Para quem acabou de receber o diagnóstico, lembre-se
“Você não está sozinha. O diagnóstico não é o fim, é o começo de um novo caminho. Com apoio, informação e afeto, é possível construir uma trajetória cheia de descobertas e conquistas”, acolhem as profissionais.
Karolayne e Carina fazem questão também de lembrar: “cuidar da criança também passa por cuidar de quem cuida. Autocuidado não é luxo, é necessidade. Uma mãe amparada cuida melhor, vive melhor e sofre menos”.
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