Psicóloga petropolitana viraliza ao transformar emoções em crochê
Projeto criado por Marina Gaivão uniu arte e saúde mental em um projeto inspirado no filme “Divertidamente”
Um projeto que une arte, saúde mental e autoconhecimento colocou a psicóloga e crocheteira petropolitana Marina Gaivão em destaque nas redes sociais nas últimas semanas. O vídeo em que ela apresenta a chamada “Divertidamanta”, uma manta de crochê que registra emoções ao longo de um ano, viralizou e chamou a atenção pela sensibilidade da proposta.

Fotos: Arquivo Pessoal
A ideia surgiu a partir de uma experiência anterior. Em 2024, Marina já havia criado uma “manta do tempo”, em que cada carreira de crochê representava a temperatura média de um dia do ano. Em 2025, o projeto ganhou um novo significado ao ser adaptado para um acompanhamento emocional, inspirado no filme Divertidamente.
Confira o resultado:
Criatividade aliada à saúde mental
Segundo Marina, o crochê sempre esteve ligado à sua história pessoal. Incentivada desde a infância a explorar atividades criativas, ela encontrou na prática uma ferramenta terapêutica.
“Minha mãe faz parte das crochemigas e sempre tive curiosidade pra aprender. Vi alguns tutoriais e aprendi. Assim, o crochê virou uma atividade terapêutica pra mim. A contagem de cada ponto ajuda a acalmar a mente e entender que os processos levam tempo”, explicou.
Emoções transformadas em linhas e cores
A proposta da Divertidamanta foi desenvolvida em conjunto com os amigos e também psicólogos Guilherme e Davi, durante encontros virtuais.
Cada dia era representado por uma cor associada a uma emoção do filme Divertidamente: amarelo para alegria, azul para tristeza, laranja para a ansiedade e assim por diante, de acordo com o sentimento que mais se destacou naquele dia.
Ao final, a manta ficou com 365 carreiras, formando um verdadeiro registro visual das emoções vividas ao longo do ano.

Fotos: Arquivo Pessoal
Autoconhecimento costurado ponto a ponto
Para Marina, o processo foi mais importante do que o resultado final. A prática diária ajudou a aprofundar a percepção emocional e a nomeação dos sentimentos, algo fundamental no trabalho psicológico.
“Foi uma jornada incrível de autoconhecimento. Aprendemos a observar, identificar e nomear os nossos sentimentos. Como psicólogos, sabemos o quanto isso é importante. E o resultado foi muito positivo. Para todos nós, a cor amarela, da alegria, prevaleceu na manta. Foi incrível analisar tudo o que sentimos durante um ano e ter isso registrado pra sempre”, destaca.
Viralização inesperada
O sucesso nas redes sociais veio de forma inesperada. Marina afirma que o vídeo foi publicado como um relato pessoal, com o objetivo de incentivar seguidores e pacientes a buscarem hobbies como forma de cuidado com a saúde mental.
“Eu nunca esperei que a repercussão fosse ser tão grande. Recebi mensagens lindas e emocionantes, e ainda estou processando o impacto disso tudo”, afirma.
Criadora de conteúdo na área da psicologia, ela pretende continuar usando as redes como ferramenta de conscientização e incentivo à busca por ajuda profissional.
“Acredito no impacto positivo que as redes podem causar. Torço para que os conteúdos cheguem às pessoas que precisam de ajuda profissional e ajudem a quebrar preconceitos e estigmas”, completa.

Fotos: Arquivo Pessoal
Como aplicar a ideia no dia a dia?
Para quem se inspirou no projeto e quer começar, Marina reforça que o aprendizado pode ser acessível. Ela mesma aprendeu por meio de tutoriais na internet, além de destacar a importância do contato humano em aulas presenciais.
E para quem não sabe, ou não quer, aprender crochê, a psicóloga sugere uma alternativa simples e eficaz: o diário das emoções. “Ao final do dia, tirar um tempo para refletir sobre como se sentiu diante das situações vividas é uma experiência muito rica e acolhedora”, recomenda.
Marina faz questão de ressaltar que o projeto só foi possível graças à troca com os amigos que participaram da experiência. “Foi um projeto lindo e não seria tão incrível sem eles. Compartilhamos emoções, alegrias, tristezas e medos, e tivemos o privilégio de ser a rede de apoio um do outro”, finaliza.
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