Conheça a cantora petropolitana que já foi indicada ao Grammy Latino
Juliane Gamboa concorreu ao prêmio de Artista Revelação em 2025
Nascida e criada em Petrópolis, a cantora Juliane Gamboa alcançou um feito que muitos artistas levam anos, ou uma vida inteira, para conquistar: ela foi indicada ao Grammy Latino na categoria Artista Revelação, no ano passado. Mas toda essa trajetória de sucesso começou muito antes dos palcos internacionais. Em entrevista à Sou Petrópolis, a petropolitana contou sobre todos os seus passos até a premiação.

Fotos: Reprodução Instagram
Da sala de casa para o mundo
O interesse pela música veio cedo. Filha de percussionista de samba e pagode, ela cresceu em uma casa onde o som era presença constante. “Eu sempre gostei de cantar as músicas que a gente ouvia no rádio, brincava que era cantora”, relembra.
Na adolescência, começou a cantar na igreja e a se gravar para publicar no YouTube e no SoundCloud. Foi ali que passou a se conectar com outros artistas e a ganhar confiança para seguir profissionalmente.
A virada aconteceu já no Rio de Janeiro, em um espaço cultural preto chamado Casa do Nando. Lá, conheceu músicos que a convidaram para seus primeiros shows. “Depois disso, nunca mais parei”, conta.

Fotos: Reprodução Instagram
As raízes em Petrópolis
Juliane morou em Petrópolis até os 19 anos e mantém uma ligação forte com a cidade, onde sua família vive até hoje. Foi aqui que ela teve seus primeiros contatos com a cena musical local, especialmente em eventos como o Solstício do Som.
“Petrópolis tem músicos ótimos, excelentes, e esta era, pra mim, a única forma de acessar esses artistas, porque era um evento muito democrático. Espaços culturais democráticos fazem muita falta em Petrópolis. Eu amo a cidade, mas sinto que minha carreira nunca começaria lá porque ela não era acessibilizada. Onde não tem acesso, não tem troca. Pessoas jovens que sonham em ser artistas precisam dessa proximidade e desse diálogo com outros fazedores de cultura”, afirma.
Mesmo tendo seguido carreira fora, a identidade construída na cidade serrana segue presente em sua trajetória.
Palcos que marcaram sua história
A carreira de Juliane já soma apresentações marcantes. Entre elas, o Best New Artist Showcase, em Las Vegas, por conta da indicação ao Grammy Latino. Em 2025, ela também se apresentou na Konzerthaus, em Berlim, com um ensemble criado por ela e outras quatro musicistas negras, cada uma de um país diferente, após uma residência artística de cinco dias.
No Brasil, cantou no Domingão com Huck para um solo da bailarina Ingrid Silva, artista que a inspira profundamente, e foi backing vocal de Preta Gil durante dois shows no Carnaval de 2023, experiências que define como inesquecíveis.

Fotos: Reprodução Instagram
A indicação que mudou tudo
A nomeação ao Grammy Latino surgiu de forma inesperada. Juliane havia se inscrito de maneira quase simbólica, pouco tempo após lançar seu primeiro álbum, “JAZZWOMAN”, um projeto financiado pelo público por meio de uma campanha de crowdfunding.
“Nem nos meus maiores sonhos eu imaginaria ser indicada tão cedo, muito menos em uma das categorias mais importantes da premiação”, conta.
Ela sequer assistia ao anúncio dos indicados quando recebeu a ligação com a notícia. Achou que era brincadeira. A repercussão foi imediata.
“Eu senti que todo mundo me celebrou muito. Meu público torce por mim porque gosta do meu som e conhece a minha luta. A indicação é uma vitória pessoal, mas também coletiva”.

Fotos: Reprodução Instagram
Uma mensagem para quem sonha
Para outros artistas petropolitanos que sonham em trilhar caminhos parecidos, Juliane deixa um conselho sincero: paciência.
“A carreira, assim como a vida, não é linear. Tem muitos altos e baixos. Saber o que você quer e não desviar do seu propósito é valioso. Não se comparar para não desanimar, e cuidar da saúde física e mental”, indica.
E completa com uma reflexão potente. “Não tem muito isso de ‘chegar em algum lugar’. Tem muitas entrelinhas nisso. Focar em fazer arte com paixão e dignidade nesse país, eu diria que esse é o grande, difícil e privilegiado objetivo”, finaliza.
Da casa cheia de samba e pagode em Petrópolis aos palcos internacionais, Juliane Gamboa mostra que sonhos cultivados com persistência podem atravessar fronteiras, e inspirar toda uma cidade no caminho.
Veja também:
