Petropolitano leva samba-enredo da Mangueira à Marquês de Sapucaí em 2026
Pedro Terra é compositor do enredo ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra. Escola desfila no domingo (15)
A poucos dias de uma das maiores festas do Brasil, Petrópolis tem um motivo especial para torcer ainda mais no Carnaval 2026. O petropolitano Pedro Terra é um dos autores do samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, que será apresentado na Marquês de Sapucaí no próximo dia 15 de fevereiro, levando para a avenida a história de “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”.

Foto: arquivo pessoal
Sobre o samba
O enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra” mergulha nas tradições afro-indígenas do Amapá, exaltando a cultura do povo tucuju, o marabaixo, a ancestralidade negra e a preservação da Amazônia. A composição de Pedro e seus parceiros foi a vencedora da tradicional disputa de sambas da Mangueira, que reúne dezenas de compositores e mobiliza milhares de torcedores na quadra da escola.
“A escola vive a reta final dos preparativos com grande expectativa. Após ensaios de canto na quadra e, depois, ensaios de rua semanais com a comunidade, aos pés do Morro da Mangueira, o samba ganhou força, identidade e integração com os moradores. Há cerca de 15 dias, os ensaios de rua foram encerrados e a Mangueira realizou o primeiro ensaio técnico na Sapucaí, marcado por arquibancadas cheias e forte emoção, com o samba sendo cantado por componentes e pela torcida”, conta Pedro
A escola encerra o primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial, com entrada prevista para 2h30 da manhã.
“A expectativa é muito positiva, impulsionada pelo engajamento da comunidade e pela proposta do enredo, que exalta a riqueza cultural do Amapá, a Amazônia Negra e o legado do Mestre Sacaca, trazendo manifestações culturais como o marabaixo e o batuque. Independentemente do resultado, a escola espera emocionar e encantar o público com um desfile potente e cheio de significado.”, afirma o compositor”, diz o compositor.

Foto: arquivo pessoal
Imersão na cultura
Para construir o samba, o grupo realizou uma verdadeira imersão cultural no Norte do país. Pedro conta que esteve no Amapá, visitou o Museu Sacaca, participou de uma festa de marabaixo no quilombo do Curiaú e chegou a pisar no Rio Amazonas. “Toda a inspiração surgiu em Macapá. Vivemos tudo isso de perto para transformar em poesia”, relata.
Ele também destaca a força da parceria entre os compositores e a mentoria de nomes importantes da música brasileira, como Paulo César Feital, além do poeta amazônico Joãozinho Gomes. “A gente se completa em ideias, observações e sensibilidade. Isso fez toda a diferença”, diz.

Foto: arquivo pessoal
Nascido em Petrópolis
Nascido e criado em Petrópolis, no bairro Samambaia, Pedro se mudou para o Rio aos 18 anos para cursar Direito na UFRJ, mas nunca perdeu o vínculo com a cidade natal. “Minha família inteira está em Petrópolis. Sempre que posso, volto. Tenho muito orgulho das minhas raízes e de representar minha cidade na maior vitrine cultural do país”, conta.

Foto: arquivo pessoal
Relação com o samba
A relação com a Mangueira vem desde a infância. “Aos 4 anos pedi para assistir ao desfile da escola e nunca mais parei. Aos 23 comecei a disputar samba e hoje já são nove disputas, com duas vitórias em cinco finais”, lembra.
Entre suas maiores inspirações está Cartola. “Não só por ser um ícone da Mangueira, mas por conseguir traduzir sentimentos profundos com simplicidade e poesia”, afirma.
Para Pedro, levar seu samba à Sapucaí é mais do que uma conquista pessoal. “É a prova de que sonhar, persistir e acreditar na arte vale a pena. A arte educa, transforma e constrói identidade”, conclui.

Foto: arquivo pessoal
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