Connect with us

Você sabe por que Petrópolis se tornou a cidade de veraneio da família imperial?

História

Você sabe por que Petrópolis se tornou a cidade de veraneio da família imperial?

Museóloga Ana Luísa Camargo, do Museu Imperial, explica os motivos da escolha da cidade

Muito antes de se tornar um dos principais destinos turísticos da Serra Fluminense, Petrópolis já exercia um papel estratégico na história do Brasil: o de refúgio de verão da família imperial. No século 19, enquanto o Rio de Janeiro, cidade da residência da família, enfrentava calor intenso, clima abafado e epidemias como febre amarela, varíola e tuberculose, a serra surgia como sinônimo de alívio, saúde e qualidade de vida.

Foto: Reprodução/Pinterest

Petrópolis para o verão

Idealizada por Dom Pedro I e concretizada por Dom Pedro II, Petrópolis foi planejada para ser a residência de verão da Corte. O atual Museu Imperial, antigo Palácio de Verão, começou a ser construído em 1845 e se tornou o principal símbolo dessa relação entre a cidade e o veraneio imperial.

“Quando o imperador subia a serra, toda a Corte subia junto. A cidade se transformava: casas eram reabertas, havia circulação de empregados, famílias inteiras, crianças nos jardins, encontros sociais e bailes. Era realmente uma cidade de veraneio”, explica a museóloga Ana Luísa Camargo, do Museu Imperial.

Família Imperial reunida no jardim do Palácio Imperial – Foto: Instituto Brasileiro de Museus

Uma extensão da Corte na Serra

Diferente de outras cidades do interior, Petrópolis nunca se enxergou como uma cidade comum. “O petropolitano se via como morador de uma cidade de verão, quase uma extensão da Corte na serra. Regiões como a Avenida Ipiranga, Rua Koeler e arredores do Palácio concentravam mansões usadas apenas durante os meses mais quentes”, destaca a museóloga.

Fuga do calor, da dor e das doenças

Além do clima ameno, havia também motivos de saúde. Dom Pedro I perdeu dois filhos em Santa Cruz, região extremamente quente, e uma de suas filhas sofria de tuberculose, doença que na época era tratada com ar puro e temperaturas mais baixas. “Petrópolis virou referência nacional para tratamento de doenças respiratórias. Muitas famílias vinham passar temporadas buscando recuperação”, lembra Ana Luísa.

D. Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina nos jardins do Palácio – Foto: Instituto Brasileiro de Museus

Verão que durava meses

O verão imperial, inclusive, não se limitava a janeiro e fevereiro. Muitas famílias chegavam antes do Natal e só retornavam ao Rio depois da Páscoa. Durante esses meses, a vida social era intensa: modistas vinham do Rio, havia chás, bailes e troca de costumes. Um símbolo desse estilo de vida é a Casa dos Sete Erros, na Avenida Ipiranga, cujo nome original era Casa de Petrópolis, por ser usada apenas como residência de temporada. Foi também uma das primeiras casas com luz elétrica na cidade.

“Petrópolis sempre foi vista como fresca, arborizada e agradável. Dormir bem, abrir as janelas, viver com mais tranquilidade — isso já fazia parte da identidade da cidade desde o século 19”, conclui a museóloga.

Foto: arquivo

Veja também:

Continue Reading

Você também vai gostar

Subir