Petrópolis cresce em número de empresas em 2025, mas avanço é puxado por MEIs
Apesar do saldo positivo entre aberturas e fechamentos, economista alerta para precarização do mercado de trabalho e falta de setores mais complexos na economia da cidade
Petrópolis encerrou o ano de 2025 com saldo positivo na abertura de empresas. De acordo com dados do Mapa das Empresas, 7.182 novos negócios foram registrados no município, número 7,1% maior do que em 2024, quando 6.703 empresas haviam sido abertas. No mesmo período, 4.528 empresas encerraram as atividades, um aumento de 1% em relação a 2024, quando 4.483 fecharam as portas.
Mesmo com o crescimento nos encerramentos, o balanço final do ano ficou positivo, indicando que mais empresas abriram do que fecharam na cidade.

Foto: arquivo
MEIs concentram maior parte das aberturas
Ao longo de 2025, Petrópolis registrou 27.450 empresas no total. Destas, 5.817 são Microempreendedores Individuais (MEIs), o que representa cerca de 21,2% dos novos registros.
No entanto, os MEIs também lideram os encerramentos: 3.457 microempreendedores individuais fecharam seus negócios em 2025. Em 2024, esse número havia sido ainda maior, com 3.622 baixas.
Hoje, o município conta com 45.702 empresas ativas. Desse total, 27.450 — mais da metade — estão enquadradas como MEI.

Foto: Henry Kappaun
Economista alerta para fragilidade da economia local
Para o economista e mestrando em Economia Regional e Desenvolvimento da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Juan Campos, os dados revelam um cenário que, embora apresente crescimento, expõe fragilidades estruturais da economia petropolitana.
“Os números mostram uma melhora, já que a diferença entre empresas abertas e fechadas foi positiva. No entanto, a grande maioria das empresas abertas é de MEIs, o que indica um processo de precarização e a ausência de setores mais complexos na economia da cidade”, analisa.
Segundo ele, a elevada concentração de microempreendedores individuais reflete a fragilidade industrial do município.
“Quando mais da metade das empresas ativas da cidade são MEI, isso demonstra a falta de desenvolvimento industrial e produtivo. É preciso entender se estamos diante de uma vocação empreendedora real ou se o MEI está sendo usado como alternativa para burlar contratos formais de trabalho”, afirma.

Foto: Sou Petrópolis
Impacto na arrecadação e no desenvolvimento
O economista explica que empresas de maior porte tendem a gerar mais impacto econômico, renda e arrecadação, já que criam mais dinamismo produtivo
“O sistema de arrecadação em cascata movimenta mais a economia e os cofres públicos. Já os MEIs atuam em setores de baixo dinamismo, o que limita os efeitos positivos sobre a economia local”, diz.
Embora a formalização via MEI não seja, por si só, negativa, o economista destaca que, em Petrópolis, ela não tem sido acompanhada pelo crescimento de serviços mais especializados ou de maior valor agregado.
“O MEI vem sendo usado, muitas vezes, para substituir contratos CLT, sem que o trabalhador receba um aumento equivalente ao que a empresa economiza em impostos. Isso gera precarização do trabalho e impede um crescimento qualitativo da economia”, ressalta.
Desafio para o município
Para o especialista, o município precisa criar condições mais favoráveis à instalação e ao crescimento de empresas com maior potencial produtivo.
“É fundamental simplificar e melhorar as condições tributárias para estimular a industrialização e a criação de pequenas empresas com maior capacidade de crescimento. O alto percentual de MEIs mostra que Petrópolis enfrenta um grande desafio no seu desenvolvimento econômico”, conclui.
Foto: André Carvalho
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