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[Entrevista] Conheça a primeira vereadora assumidamente lésbica de Petrópolis

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[Entrevista] Conheça a primeira vereadora assumidamente lésbica de Petrópolis

[Dia Nacional da Visibilidade Lésbica] Professora Lívia Miranda luta pelos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+ na Câmara de Vereadores de Petrópolis

Nesta sexta-feira, dia 29 de agosto, é celebrado o Dia da Visibilidade Lésbica em todo o Brasil. Ainda que exista muitos direitos a serem conquistados, a comunidade LGBTQIAPN+ tem alcançado espaços cada vez maiores, sobretudo na mídia e na política. Esse é o caso de Lívia Miranda (PCdoB), primeira mulher assumidamente lésbica a ser eleita para a Câmara de Vereadores de Petrópolis.

Fotos: Arquivo Pessoal

Eleita com mais de dois mil votos em 2024, Lívia é professora da rede pública de Petrópolis e mestra em educação. No legislativo, luta pelos direitos das mulheres, da população LGBTQIAPN+ e dos trabalhadores, dando visibilidade a estas comunidades e conquistando direitos imprescindíveis.

Em entrevista à Sou Petrópolis, a petropolitana contou um pouco sobre a sua descoberta enquanto mulher lésbica, interesse na política, desafios e planos para a cidade.

Fotos: Arquivo Pessoal

Primeiro, como foi pra você se entender enquanto mulher lésbica?

L.M: Para começar, é importante dizer que vivemos numa sociedade em que a sexualidade é tratada como um tabu, principalmente para as mulheres. Além disso, quando temos algum debate sobre a sexualidade e demonstração de afeto, a heteronormatividade ocupa um lugar central. Recentemente, pela luta dos movimentos sociais estamos vivendo uma “nova onda”, em que falar da sexualidade abre possibilidade para a nossa liberdade como humanidade.

No entanto, até bem pouco tempo, tínhamos poucas referências na sociedade de mulheres lésbicas ocupando espaços na vida institucional como legislativo ou executivo. Muitas vezes víamos essas mulheres dentro dos movimentos sociais e na cultura. Ainda avançamos bem pouco nisso.

Fotos: Arquivo Pessoal

Onde a sua sexualidade esbarra com o seu desejo de entrar para a política e qual foi a sua trajetória até se tornar vereadora?

L.M: A vida das pessoas LGBT’s é muito marcada pela violência, pelo preconceito e pelo abandono familiar, em contrapartida, encontramos apoio, afeto e formamos uma rede de acolhimento entre amigos. No meu caso, ao longo da minha formação humana, escolar e acadêmica fui também compreendendo que viver com todos os direitos de expressar meu afeto por outra mulher também é um ato político.

Não é um caminho fácil porque temos que enfrentar nossos próprios dilemas e preconceitos. Eu encontrei na militância e dentro do meu partido o rumo para lutar para essa mudança social, pois compreendo que todas as pessoas devem ter direito a demonstrar suas emoções, seus afetos sem serem violentadas por isso.

Fotos: Arquivo Pessoal

Como você se sentiu ao ser eleita para a Câmara de Vereadores de Petrópolis, primeiro por ser mulher, numa câmara onde até então só havia uma representante feminina, e segundo, por ser lésbica, sobretudo em uma cidade mais conservadora como Petrópolis? Quais os impactos para a comunidade?

L.M: Nossa eleição foi uma grande conquista para garantir a diversidade, pluralidade e representatividade na câmara municipal. Um exemplo da importância da nossa atuação na Câmara foi a aprovação do conselho municipal da diversidade sexual e de gênero.

A elaboração do texto do conselho foi feita junto dos movimentos sociais que há mais de 10 anos lutam pela criação desse espaço de discussão das políticas públicas. Portanto, a eleição de uma professora, mulher lésbica, que tem trajetória de formação dentro do movimento social, refletiu em uma iniciativa que tende a mudar a vida das pessoas LGBT’s da cidade ao longo do tempo. Essa lei precisa ser implementada já e agora essa é a nossa luta.

Fotos: Arquivo Pessoal

Recentemente, você foi alvo de ataques homofóbicos e misóginos, em que uma página estimulou que homens fossem ao seu gabinete “corrigirem” sua orientação sexual, como foi passar por isso?

L.M: Nós mulheres somos assediadas constantemente. Muitas vezes só vamos ter consciência disso depois de bastante tempo passado o assédio. Os ataques recentes se deram pela internet, por isso é tão importante que a rede social precisa ser regulada pelo Congresso Nacional.

Inicialmente eu me senti vulnerável e exposta. Na sequência, ao compartilhar isso com minha equipe e com meu partido, decidimos fazer a denúncia (Registro de Ocorrência). Posso dizer que saímos mais forte desse ataque.

Digo isso por que se formou uma rede de solidariedade, recebi apoio de muitas pessoas, do movimento social, de outras lideranças políticas. Eu penso que essa é a melhor maneira de enfrentar os ataques dessa natureza: compartilhando com o coletivo e fazendo a denúncia nos órgãos competentes para que os responsáveis por esse crime sejam punidos.

Fotos: Arquivo Pessoal

Qual a importância de ter um representante LGBTQIAPN+ na Câmara e quais os planos que você tem para a comunidade?

L.M: É possível afirmar que presença de uma vereadora assumidamente lésbica na câmara municipal tem causado mudança na vida da Câmara Municipal de Petrópolis. Além das leis que aprovamos, fizemos atividades que levaram as cores do arco íris para aquele espaço.

Realizamos no mês de maio a abertura da etapa regional da Conferência estadual LGBT. No mês de julho fizemos uma entrega de moções a várias pessoas, artistas, militantes, ativistas do movimento LGBT em Petrópolis. E nessa semana protocolamos dois projetos de lei que vão garantir proteção às mulheres lésbicas e às pessoas LGBT’s idosas.

É assim que fazemos nossa política: dando voz, espaço, visibilidade e lutando por avanços em todas as áreas das políticas públicas para garantir que as pessoas LGBT’s da nossa cidade possam viver dignamente. Contudo, sabemos que temos muito que percorrer para avançar e estamos firmes nesse caminho.

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