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Moradores de uma rua em Corrêas promovem encontros de convivência entre vizinhos

Cidade

Moradores de uma rua em Corrêas promovem encontros de convivência entre vizinhos

Iniciativa de criar interação em pequenos momentos de convivência partiu de duas moradoras e já traz admiração das ruas próximas. Encontros mostram importância de conhecer e viver bem com seus vizinhos

Dizem que os vizinhos são as primeiras pessoas a quem recorremos em um momento de necessidade. Porém a vida moderna tem feito o ser humano se afastar até mesmo das pessoas que vivem na própria casa. O que dizer então sobre os vizinhos que, muitas vezes, nem conhecemos? Os moradores de uma rua de Corrêas foram na contramão disso e organizaram um movimento que eles chamam de “Convivência”.

Foto Divulgação

Como surgiu a ideia?

Luciana Bairral Manzini, psicóloga em Petrópolis há 30 anos, sempre cultivou o sentimento de comunidade. Ela conta que alguns de seus vizinhos, já idosos, eram acompanhados por ela de longe, quando em raras aparições eles a cumprimentavam da janela. Porém Luciana percebeu que quando um deles falecia ela só tomava conhecimento muito tempo depois e sentia que faltava um contato mais próximo com aquelas pessoas.

Novas famílias se mudavam para aquelas casas, algumas descendentes dos antigos moradores e, com isso, a rua pouco a pouco ia se transformando. Com a chegada da pandemia a psicóloga sentiu o desejo de conhecer os vizinhos mais de perto e conversou com uma das moradoras, Roseli Egydio de Mello. Moradora da rua há 19 anos Roseli é uma professora bastante conhecida da região. Ela lapidou a ideia, inicialmente de uma festa, para algo mais simples como um encontro de convivência. “Senti que também desejava estar mais perto de todos, em harmonia e respeito”, relembra.

Foto Divulgação

A rua e os encontros

O cenário dos encontros é a Rua Ângela Santana de Souza, em Corrêas. Uma rua circular, sem saída, com casas charmosas e moradores antigos. Luciana conta que mora lá há 28 anos e vários vizinhos são desta mesma época ou até antes. Os encontros acontecem no mês de junho, mas há o desejo de fazer outro em novembro, mantendo o intervalo de seis meses entre eles.

A dinâmica dos encontros é bem simples. Os moradores se reúnem no meio da rua, em um larguinho que permite a colocação de cadeiras e mesas sem atrapalhar o trânsito dos moradores. As duas edições feitas até agora foram um sucesso! Eles comeram, riram, conversaram, cantaram, tocaram violão e contaram histórias.

O primeiro encontro foi feito no fim da tarde e, como é comum nessa época do ano, logo começou a escurecer. Tiveram que encerrar a reunião antes do esperado, já que só contavam com a iluminação da rua. “Ninguém queria ir embora”, relembra Luciana.

Foto Divulgação

A psicóloga destaca que a socialização é fundamental, sobretudo para os idosos que, muitas vezes, nem saem de casa para outras tarefas e vão perdendo, aos poucos, a convivência com as pessoas. Ela conta que depois dos encontros tomou conhecimento de que alguns moradores que participaram das reuniões estavam depressivos há anos, ou tinham passado por perdas importantes na família e já não saíam mais de casa para socializar. Os encontros deram um ânimo novo à comunidade. “Foi muito legal porque pessoas que estavam sozinhas nas suas casas, depois dessa convivência apareceram”, relembra.

Roseli também destaca que esses momentos trouxeram uma nova visão sobre a interação entre as pessoas da rua. “Senti que olhar o outro e ser vista e respeitada pelo outro, faz toda diferença para uma boa relação de convivência na vizinhança. Estamos reconstruindo e fortalecendo relações que são verdadeiras redes de apoio”, comenta.

A convivência

No primeiro encontro, em 2023, os convites vieram em forma de bilhetinhos colocados nas caixas do correio, além do grupo criado no Whatsapp entre aqueles que Luciana e Roseli já tinham os contatos. Os papeizinhos traziam instruções como o que deveriam levar, o horário e como funcionaria a reunião, tudo de maneira bastante informal.

As duas organizadoras providenciaram crachás de identificação contendo o nome e o número da casa, e ainda confeccionaram uma moldura para fotos com os dados do encontro. Em 2024 a atividade aconteceu na parte da manhã, o que permitiu ter maior duração. Cada família participante ficou responsável por levar a comida e a bebida que desejava, evitando que sobrasse ou faltasse alguma coisa, além de não ser necessária a confirmação da presença. 

Foto Divulgação

Ganhos para a comunidade

Luciana aponta que outros ganhos puderam ser percebidos a partir da iniciativa. Através dos encontros, o grupo dos vizinhos no Whatsapp ganhou força e hoje desempenha outros papéis bastante importantes na comunidade.

A ideia atraiu, inclusive, admiradores que residem nas ruas próximas e desejam fazer o mesmo na própria vizinhança. Como muitos moradores da Rua Ângela Santana de Souza são atuantes na Igreja Católica, ao saberem da ação, o Padre Rodrigo e o Monsenhor Geraldo, responsáveis pelo Santuário Nossa Senhora do Amor Divino, decidiram fazer os tapetes de Corpus Christi de 2024 apenas nessa rua.

Os moradores ficaram responsáveis por fornecer o lanche oferecido aos voluntários que participaram da montagem dos tapetes. A distribuição de tarefas foi fácil, já que eles mantêm contato direto através do grupo. Luciana conta que foi procurada por várias pessoas para falar da iniciativa. “Muitas pessoas já estão desejando fazer parte da Rua Ângela Santana de Souza exatamente porque sabem que os moradores são unidos”, relata.

Foto Divulgação

Vizinhos atentos

Situações do cotidiano também se transformaram após o crescimento do grupo. Hoje os vizinhos ficam atentos a movimentos estranhos em outras casas e se mobilizam quando ficam sabendo de algum animal que tenha fugido. Luciana ressalta que até a coleta seletiva agora está mais organizada. Ela explica que antes funcionava de maneira desordenada, ao contrário de agora. “Hoje em dia, se você passa aqui na quarta-feira de manhã, que é o dia da coleta, você vê vários saquinhos de lixo reciclável na frente das casas”, explica.

Luciana e Roseli estão muito felizes de realizarem junto com a comunidade esses encontros. A psicóloga se mostra emocionada com o fato de que através da convivência hoje ela sabe os nomes dos vizinhos e onde eles moram. “A gente conseguiu alongar a nossa casa. Apesar da rua ser muito agradável, hoje é ainda mais, sabendo que a gente tem essas pessoas todas juntas aqui perto”, finaliza.

Foto Divulgação

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